Requião pede apuração de gastos de Lerner
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de junho de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados da base de sustentação do governo Roberto Requião (PMDB) foram convocados ontem a investigar os gastos com publicidade e propaganda durante o governo Jaime Lerner (PSB). Requião suspeita de que as verbas destinadas para empresários de comunicação e radialistas eram usadas de forma equivocada e que o destino dos recursos não seria, necessariamente, a sustentação de jornais ou emissoras de televisão. ''Eu não estou acusando, estou questionando. Será que tudo isso foi realmente gasto com a imprensa? Ou parte foi devolvido para o estado para outros gastos?'', questionou Requião.
O pedido de investigação de Requião é uma resposta à formação da Comissão Especial de Investigação (CEI) na Assembléia Legislativa para investigar os gastos do governo Requião com publicidade oficial em jornais e sites com pequena circulação no Estado. Em alguns casos, a publicidade teria sido feita em duplicidade (num jornal de grande circulação como manda a lei e em outro, de circulação restrita). Os gastos foram questionados pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná. ''Se comparar o que eu gastei nos quatro anos e meio de governo Requião e o que o governo Lerner gastou, vão perceber que investi 15% do que o governo anterior'', justificou Airton Pisseti, secretário de Estado da Comunicação Social.
Nos oito anos de governo Lerner, a Comunicação Social teria investido R$ 1,4 bilhão entre jornais da capital e interior. Entre os jornais que mais teriam recebido verbas governamentais estariam: Folha de Londrina (R$ 55 milhões), Gazeta do Povo (R$ 54 milhões), Jornal do Estado (R$ 32 milhões), Indústria e Comércio (R$ 25,6 milhões), O Estado do Paraná (R$ 27,4 milhões), Trovão Azul (R$ 4,4 milhões). A Rede Paranaense de Comunicação (RPC) teria recebido R$ 429 milhões. Também receberam recursos: Band Curitiba (R$ 25 milhões), CNT (R$ 35 milhões), Sudoeste de Pato Branco (R$ 4 milhões).
As rádios também teriam recebido verbas significativas. Entre elas: a CBN (R$ 4,4 milhões), Cidade (R$ 3,3 milhões), Banda B (R$ 1,5 milhão), Clube de Ponta Grossa (R$ 2 milhões), Difusora de União da Vitória (R$ 2,1 milhões), Central (R$ 616 mil). ''Os números explicam a gritaria, a oposição irracional que os jornais fazem ao governo do Estado. Mas não vou ceder às chantagens da imprensa. Não vou dar nenhum centavo a mais para publicidade. Apenas a oficial, que é exigida por lei, de divulgação de editais e concorrências públicas'', analisou Requião. Radialistas foram acusados pelo governador de receberem um mensalão para falar ''bem'' do governo Lerner. Ele citou quatro radialistas, dois deles eram deputados estaduais (nenhum reeleito).


