Curitiba - Os deputados da base de sustentação do governo Roberto Requião (PMDB) foram convocados ontem a investigar os gastos com publicidade e propaganda durante o governo Jaime Lerner (PSB). Requião suspeita de que as verbas destinadas para empresários de comunicação e radialistas eram usadas de forma equivocada e que o destino dos recursos não seria, necessariamente, a sustentação de jornais ou emissoras de televisão. ''Eu não estou acusando, estou questionando. Será que tudo isso foi realmente gasto com a imprensa? Ou parte foi devolvido para o estado para outros gastos?'', questionou Requião.
O pedido de investigação de Requião é uma resposta à formação da Comissão Especial de Investigação (CEI) na Assembléia Legislativa para investigar os gastos do governo Requião com publicidade oficial em jornais e sites com pequena circulação no Estado. Em alguns casos, a publicidade teria sido feita em duplicidade (num jornal de grande circulação como manda a lei e em outro, de circulação restrita). Os gastos foram questionados pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná. ''Se comparar o que eu gastei nos quatro anos e meio de governo Requião e o que o governo Lerner gastou, vão perceber que investi 15% do que o governo anterior'', justificou Airton Pisseti, secretário de Estado da Comunicação Social.
Nos oito anos de governo Lerner, a Comunicação Social teria investido R$ 1,4 bilhão entre jornais da capital e interior. Entre os jornais que mais teriam recebido verbas governamentais estariam: Folha de Londrina (R$ 55 milhões), Gazeta do Povo (R$ 54 milhões), Jornal do Estado (R$ 32 milhões), Indústria e Comércio (R$ 25,6 milhões), O Estado do Paraná (R$ 27,4 milhões), Trovão Azul (R$ 4,4 milhões). A Rede Paranaense de Comunicação (RPC) teria recebido R$ 429 milhões. Também receberam recursos: Band Curitiba (R$ 25 milhões), CNT (R$ 35 milhões), Sudoeste de Pato Branco (R$ 4 milhões).
As rádios também teriam recebido verbas significativas. Entre elas: a CBN (R$ 4,4 milhões), Cidade (R$ 3,3 milhões), Banda B (R$ 1,5 milhão), Clube de Ponta Grossa (R$ 2 milhões), Difusora de União da Vitória (R$ 2,1 milhões), Central (R$ 616 mil). ''Os números explicam a gritaria, a oposição irracional que os jornais fazem ao governo do Estado. Mas não vou ceder às chantagens da imprensa. Não vou dar nenhum centavo a mais para publicidade. Apenas a oficial, que é exigida por lei, de divulgação de editais e concorrências públicas'', analisou Requião. Radialistas foram acusados pelo governador de receberem um mensalão para falar ''bem'' do governo Lerner. Ele citou quatro radialistas, dois deles eram deputados estaduais (nenhum reeleito).

mockup