Arquivo FolhaRequião: apoiar FHC é ‘‘fazer o elogio do próprio coveiro’’O senador Roberto Requião (PMDB-PR) enviou ontem carta aos 536 convencionais do partido, pedindo para iniciar uma ‘‘campanha ostensiva, aberta e franca’’. Requião disse que vai disputar a convenção ‘‘de qualquer maneira’’ e que a carta é para orientá-lo quanto à posição da base do partido. Segundo ele, 80% dos convencionais são favoráveis à candidatura própria do PMDB. O senador decidiu utilizar os Correios porque, segundo ele, os governistas do partido ‘‘criam feudos’’ nos estados, armando uma barreira entre os peemedebistas que defendem candidatura própria e os convencionais.
É o caso, segundo Requião, do Pará - onde o maior líder do partido é o senador Jader Barbalho - do Rio Grande do Sul - do governador Antônio Britto - e de Goiás - do ministro Iris Rezende, da Justiça - entre outros estados.
Na carta, o senador defende a candidatura própria do partido, diz que são três os pré-candidatos - ele, o ex-presidente Itamar Franco e o senador José Sarney (PMDB-AP) - e pergunta se ele teria apoio do convencional. O senador diz que chegou a hora de o ‘‘PMDB histórico e autêntico liderar a maior frente de partidos, movimentos populares, de intelectuais, de personalidades e de lideranças políticas jamais reunidos, desde os tempos da resistência à ditadura militar’’.
Requião relaciona na carta seu endereço, telefone e fax e pede que cada delegado do PMDB responda se daria apoio à sua candidatura. ‘‘Vitoriosa a nossa tese de candidatura própria e da integração do PMDB na grande frente, gostaria de saber se poderia contar com o seu apoio’’, diz. Na carta, Requião afirma que apoiar a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso é ‘‘fazer o elogio do próprio coveiro’’. Ele afirma que a verdadeira aliança de FHC é com o PFL e que o PMDB não passa de ‘‘figurante maltratado’’.
O presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), publicou ontem na imprensa edital de convocação da convenção nacional do partido para o dia 8 de março (domingo), a partir das 9 horas. O motivo, segundo o edital, é deliberar sobre a candidatura própria do PMDB à Presidência. Os governistas do PMDB haviam divulgado a informação de que fariam a convenção no dia 8 de fevereiro e que Paes seria destituído do cargo.
‘‘Onde está o edital? Para fazer uma convenção é necessário seguir os ritos previstos no estatuto do partido’’, disse Paes.

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