Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) pediu ontem ao deputado federal Osmar Serraglio (PMDB) - recém-eleito para a 1 secretaria da Câmara - empenho da bancada paranaense para agilizar a tramitação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O projeto do Executivo federal deve chegar ao Legislativo assim que os trabalhos recomeçarem, na semana que vem. ''Ele (Requião) pediu que nós não abríssemos um dissenso em relação a pretensões específicas do Estado'', afirmou. Eles se reuniram ontem em Curitiba.
Serraglio ainda explicou a preocupação do governador. ''Ele acha que se ficar retalhando, começa a complicar a aprovação, porque evidentemente aparecerão as postulações de cada estado e as coisas ficam pendentes'', disse. De acordo com o deputado, Requião indicou, no entanto, que as reivindicações do Estado devem ser feitas ''em outras instâncias'' para não criar dificuldades à aprovação do PAC.
O deputado, que se destacou como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, também salientou a força política que o cargo na Mesa Diretiva da Câmara representa para o Paraná. ''É um cargo de relevância no Legislativo federal e evidentemente vamos ser ouvidos mais atentamente quando agora nos manifestarmos'', explicou. Serraglio lançou candidatura avulsa (sem apoio da bancada de seu partido) para concorrer ao cargo na Mesa. Acabou eleito com 249 votos. A função é a segunda mais importante da Casa, com atribuições administrativas. Por isso, Serraglio afirma que o Paraná pode ganhar força política.
Sobre as expectativas para a nova legislatura, Osmar Serraglio afirmou esperar que não haja a absolvição de parlamentares envolvidos com o escândalo do Mensalão, como é o caso do ex-ministro José Dirceu (PT). A hipótese vem sendo cogitada desde que o petista Arlindo Chinaglia, eleito presidente da Câmara, quando lançou sua candidatura. ''Minha eleição (para a 1 secretaria) foi uma sinalização no sentido contrário. Me elegi saindo candidato avulso contra as duas correntes que estavam disputando. Se fui votado como fui, devo receber isso como uma lição e vou cumpri-la'', justificou.
Além disso, Serraglio espera que a Câmara aumente sua independência em relação ao governo federal. ''Não é possível que passemos a próxima legislatura como esta, em que praticamente nos sobrou um quarto do tempo para as coisas da Câmara, o resto tudo manietado por medidas provisórias'', explicou. ''Precisamos mudar isso e espero que nós de fato atuemos como legisladores'', concluiu o deputado.

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