Requião não teve hegemonia na Assembléia em 2007
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de dezembro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de manter uma maioria consolidada na Assembléia Legislativa, o governador Roberto Requião (PMDB) ''não teve hegemonia'' na Casa durante o ano de 2007. A avaliação é do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''O governo Requião teve que negociar.''
Um exemplo da falta de hegemonia, explica Oliveira, aconteceu no final do segundo semestre, quando o Executivo recuou após propor aumento em taxas do Detran e em alíquotas do IPVA, o chamado ''tarifaço'' pela oposição. ''Eles não tiveram força política no Legislativo para aprovar o aumento. É claro que o processo também foi mal conduzido pela base dentro da Casa, mas o fato mostrou força da oposição e de um bloco independente.''
Um dos motivos da ''falta de força política'' está no comportamento dos parlamentares da própria base. A eleição de 2008, por exemplo, já se anunciou na Casa, onde a maioria dos parlamentares é pré-candidata a prefeituras. O fato de integrantes da base terem resistido ao ''tarifaço'' seria ''um primeiro sinal'', avalia Oliveira, já que as consequências políticas da aprovação de uma proposta do tipo poderiam atingir a próxima disputa eleitoral.
Para reforçar o desequilíbrio das forças, integrantes da base também defenderam posturas independentes no dia-a-dia do Legislativo. No primeiro semestre, por exemplo, o peemedebista Reinhold Stephanes Júnior votou a favor da criação de uma comissão para investigar os gastos do Executivo com publicidade e propaganda. O petista Tadeu Veneri, destaca Oliveira, também manteve uma posição crítica em relação aos atos do governo Requião.
A bancada do PMDB, apesar de ser a maior da Casa, também não indicou um nome para a presidência do Legislativo, sob o comando de Nelson Justus (DEM) desde o início do ano. ''O Justus está 'sintonizado' com o governo, mas o PMDB perdeu o principal posto da Casa. Faz diferença''.
Por outro lado, Oliveira ressalta que a bancada da oposição, mesmo que aparentemente sólida no caso do ''tarifaço'', também não teve hegemonia ao longo do ano. Apesar do novo entendimento do Tribunal Superior Eleitoral sobre o mandato - agora pertencente à sigla partidária e não ao político eleito -, a bancada do PSDB, por exemplo, permaneceu dividida. A oposição também não teria ganho a atuação de nomes que, em tese, teriam o perfil adequado para a ''batalha''. ''Seja por interesses ou por comodidade, alguns parlamentares não assumiram o perfil de oposição. Um exemplo é o Durval Amaral (DEM), que teve um papel importante na época do Lerner e hoje não atua na linha de frente da oposição''.
O cientista político afirma que o destaque foi o líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), que levou ao plenário durante todo o ano supostas denúncias contra o governo Requião. As principais denúncias, entretanto, teriam partido de dentro do próprio Executivo, avalia Oliveira. ''O fogo amigo fez muito mais estrago do que a oposição tradicional''.


