Em 2002, 13 governadores encerraram os mandatos deixando déficits para os sucessores, mas nenhum deles foi punido por descumprir a lei. Na época, os TCEs interpretaram que os déficits eram ''históricos'' e não seria possível exigir a eliminação imediata.
Alguns governadores que comandaram os Estados entre 2003 e 2006 conseguiram reduzir o rombo que herdaram. Em Minas Gerais por exemplo, o governador Aécio Neves (PSDB) recebeu do ex-governador e ex-embaixador do Brasil na Itália Itamar Franco um buraco de R$ 4,1 bilhões e o reduziu para R$ 2,3 bilhões após um rigoroso plano de ajuste.
O governador Roberto Requião (PMDB) também logrou uma melhoria nesse indicador fiscal, embora, parcialmente à custa do não-reconhecimento de algumas obrigações contraídas pelo antecessor.
Já no Rio de Janeiro e, principalmente, no Rio Grande do Sul, os rombos financeiros aumentaram nos últimos quatro anos porque os governos continuaram gastando mais do que arrecadavam. No Rio de Janeiro, o déficit cresceu de R$ 872 milhões em 2002 para R$ 1,36 bilhão em 2006, no fim do governo Rosinha Matheus (PMDB), apesar da injeção do dinheiro de royalties do petróleo proporcionado pelo governo federal aos cofres estaduais.
O caso mais grave, no entanto, é o do governo gaúcho, administrado pela governadora Yeda Crusius (PSDB), que herdou do ex-governador Germano Rigotto (PMDB) um déficit de R$ 5,1 bilhões, equivalente a 38,1% da receita líquida.
Parte desse déficit - R$ 2,6 bilhões - existia desde a gestão do ex-governador e ex-ministro das Cidades Olívio Dutra (PT), mas se ampliou em vez de reduzir na gestão do PMDB.
''O governador fez o ajuste fiscal possível. Se ele fizesse mais, o Estado parava'', afirma um conselheiro do TCE do Rio Grande do Sul, lembrando que o dinheiro que sobra para investimento não chega a 4% da receita líquida.
Segundo ele, a redação do artigo 42 da Lei Fiscal, que trata dos ''restos a pagar'', é ambígua e o cumprimento tem sido analisado de uma forma ''criteriosa'' pelo TCE. ''É preciso verificar se o administrador está tomando ações saneadoras e se há possibilidade material de cumprir o que diz a lei.''

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