Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) defendeu que a Assembléia Legislativa do Paraná vote sem o pagamento de jetom aos deputados o plano de cargos e salários dos professores da rede estadual, durante o recesso parlamentar, que vai até 15 de fevereiro do ano que vem.
O plano era esperado na Casa para ser votado no último dia de sessões, mas não foi encaminhado. Tanto o secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, quanto o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), descartaram a possibilidade de uma convocação extraordinária para aprovar essa mensagem do governo.
Quando o Palácio Iguaçu convoca os deputados para votações em período de recesso, cabe ao Executivo o pagamento extra: um salário de R$ 9,5 mil pela convocação e outro no mesmo valor pela desconvocação. Ou seja, se somados cada um dos 54 deputados estaduais, o governo teria que desembolsar aproximadamente R$ 1 milhão para aprovar o plano de carreira dos professores. Quando é a Assembléia que convoca, o jetom sai do orçamento do Legislativo (que, por sua vez, é repassado pelo Estado).
Requião disse que o plano não foi encaminhado ao Poder Legislativo porque os técnicos da Secretaria de Estado da Educação teriam cometido enganos na elaboração do plano, que foi costurado após debates com a APP-Sindicato, o sindicato que representa a categoria. ''Não foram considerados os abonos que eu dei'', disse o governador, explicando que, por isso, poderiam haver distorções e alguns professores teriam perdas salariais em vez de ganhos.
Requião disse que está disposto a convocar a Assembléia caso os deputados concordem em trabalhar sem receber jetom. Para o governador, os deputados ''ganham bem demais'', enquanto os secretários ganham pouco. Nas últimas horas de votação, a Assembléia desistiu de votar o projeto apresentado pela bancada do PMDB que dobrava o salário dos secretários de Estado (R$ 6 mil brutos ou R$ 4,5 mil líquidos). Sem o plano de cargos dos professores, o desgaste político seria grande.
Ontem, alguns deputados do PMDB consideravam, nos bastidores, viável a votação sem jetom. A Folha não conseguiu contato ontem com Hermas Brandão para repercutir a posição do governador.

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