Arquivo FolhaVarisco: secretário do Trabalho acusa Requião pela morte de sem-terraO senador Roberto Requião (PMDB) não compareceu à audiência para a qual estava convocado, sexta-feira à tarde no Fórum da Comarca de Cascavel, para instrução do processo que move contra o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Joni Varisco (PTB). Requião move ação contra Joni, pela acusação que este lhe faz, de que quando governador mandou a Polícia Militar executar o líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha.
A alegação para o não-comparecimento do senador foi de que ele estava em Brasília envolvido com assuntos da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado - na qual há pedido do governador Jaime Lerner (PFL) de liberação para empréstimos externos. ‘‘O Requião cometeu um crime no caso de Teixeirinha, mas agora comete outro contra todos os paranaenses, quando luta para impedir os empréstimos, do interesse de toda a população’’, disse Joni Varisco após a audiência.
O secretário reafirmou perante o juiz João Eduardo Staut Nunes a acusação a Requião - que foi representado na audiência pelo advogado Mozart de Quadros. O senador deverá ser ouvido por precatória, e nova audiência foi marcada para agosto do próximo ano. A morte de Teixeirinha ocorreu em 1993, na Fazenda Santana, em Campo Bonito (63 quilômetros a leste de Cascavel), dias depois de três policiais militares à paisana terem sido mortos por sem-terra.
Segundo os lavradores, os policiais não se identificaram e foram confundidos com jagunços de um fazendeiro, e Teixeirinha teria sido executado em represália; segundo a PM, ele foi morto em confronto. Joni Varisco diz ter ouvido o então governador Roberto Requião ligar para o comandante do 6º BPM de Cascavel determinando a represália. Teriam sido testemunhas do telefonema o então vice-governador Mário Pereira e o ex-presidente do Tribunal de Contas, Nestor Batista.
‘‘Só retiro a acusação se os mortos voltarem à vida’’, disse Joni, que não aceitou proposta de conciliação para retirá-la, em troca sendo encerradas ações cíveis e criminais movidas pelo senador. Joni Varisco, que na época da morte de Teixeirinha era deputado federal, afirma não desistir ‘‘embora sob a ameaça de ter que pagar indenização milionária’’. Segundo ele, Roberto Requião não compareceu à audiência de ontem ‘‘para ficar em Brasília cometendo crime contra o Paranᒒ.

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