Requião não comparece ao Fórum para instrução
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domingo, 23 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Arquivo FolhaVarisco: secretário do Trabalho acusa Requião pela morte de sem-terraO senador Roberto Requião (PMDB) não compareceu à audiência para a qual estava convocado, sexta-feira à tarde no Fórum da Comarca de Cascavel, para instrução do processo que move contra o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Joni Varisco (PTB). Requião move ação contra Joni, pela acusação que este lhe faz, de que quando governador mandou a Polícia Militar executar o líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha.
A alegação para o não-comparecimento do senador foi de que ele estava em Brasília envolvido com assuntos da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado - na qual há pedido do governador Jaime Lerner (PFL) de liberação para empréstimos externos. O Requião cometeu um crime no caso de Teixeirinha, mas agora comete outro contra todos os paranaenses, quando luta para impedir os empréstimos, do interesse de toda a população, disse Joni Varisco após a audiência.
O secretário reafirmou perante o juiz João Eduardo Staut Nunes a acusação a Requião - que foi representado na audiência pelo advogado Mozart de Quadros. O senador deverá ser ouvido por precatória, e nova audiência foi marcada para agosto do próximo ano. A morte de Teixeirinha ocorreu em 1993, na Fazenda Santana, em Campo Bonito (63 quilômetros a leste de Cascavel), dias depois de três policiais militares à paisana terem sido mortos por sem-terra.
Segundo os lavradores, os policiais não se identificaram e foram confundidos com jagunços de um fazendeiro, e Teixeirinha teria sido executado em represália; segundo a PM, ele foi morto em confronto. Joni Varisco diz ter ouvido o então governador Roberto Requião ligar para o comandante do 6º BPM de Cascavel determinando a represália. Teriam sido testemunhas do telefonema o então vice-governador Mário Pereira e o ex-presidente do Tribunal de Contas, Nestor Batista.
Só retiro a acusação se os mortos voltarem à vida, disse Joni, que não aceitou proposta de conciliação para retirá-la, em troca sendo encerradas ações cíveis e criminais movidas pelo senador. Joni Varisco, que na época da morte de Teixeirinha era deputado federal, afirma não desistir embora sob a ameaça de ter que pagar indenização milionária. Segundo ele, Roberto Requião não compareceu à audiência de ontem para ficar em Brasília cometendo crime contra o Paraná.


