Curitiba - O processo de aproximação entre PMDB e PSDB no Paraná refluiu ontem. Uma reunião, na parte da manhã, entre o presidente estadual tucano, deputado federal licenciado Basílio Villani, e o pré-candidato do PMDB à sucessão estadual, senador Roberto Requião, acabou dando um nó nas costuras trabalhadas nas últimas semanas por lideranças dos dois partidos. A ala tucana que defende a composição, porém, já se articulava ontem à noite para reverter o quadro e retomar a idéia de uma parceria. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), defensor do acordo, pretendia se reunir na noite de ontem com o senador Requião.
Pela primeira vez, dirigentes do PSDB e PMDB divulgaram em caráter oficial o teor das negociações. Até então, as hipóteses colocadas na mesa vinham sendo mantidas em sigilo. A oferta feita ontem por Requião aos tucanos foi rejeitada, assim como a proposta de Villani ao PMDB. Os dirigentes encerraram o encontro, irredutíveis. Villani sustenta que Beto reúne mais condições de ganhar a corrida pelo Palácio Iguaçu, enquanto Requião acredita que seu nome é tem mais densidade eleitoral.
Requião ofereceu ao PSDB a vaga de vice na chapa encabeçada por ele, e uma vaga ao Senado. A outra está prometida ao ex-governador Paulo Pimentel (PMDB). Já os tucanos ofereceram as duas vagas de senador para os peemdebistas, na chapa de Beto Richa (PSDB). A vice, explicou Villani, está prometida ao PFL, que já homologou em convenção apoio ao PSDB.
Como nenhum dos dois lados cedeu, não houve acordo ontem. Requião deixou o encontro, na casa de Villani em Curitiba, dizendo que o PMDB terá chapa pura. Minutos após a conversa com Requião, Villani telefonou para os pefelistas e deu o seguinte recado: ‘‘É definitivo. Vamos sem o PMDB.’’
A falta de consenso ficou clara ainda nas declarações de Requião, que voltou a atacar o grupo do governador Jaime Lerner (PFL), seu adversário. ‘‘Provavelmente preferem fazer a coligação com o PFL do caixa 2’’, protestou o senador, referindo-se às investigações feitas pela Polícia Federal em torno de um suposto caixa paralelo na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), em 2000.
Requião ignorou até as pressões que vem recebendo de Brasília. O PMDB do Paraná está sendo pressionado para repetir a aliança PMDB-PSDB no Estado e garantir palanque ao presidenciável José Serra.
No final da tarde, a crise entre tucanos e peemedebistas se agravou ainda mais. Requião recebeu um telefonema – sem, no entanto, revelar a fonte– que levou-o a insistir no rompimento. Segundo sua assessoria, Requião teria sido informado que o presidente nacional do PSDB, José Aníbal, vetaria no Paraná qualquer composição com o PMDB que não tivesse Beto como candidato ao governo.
Oficialmente, Brandão nega a existência da sondagem, mas o argumento que ele teria para atrair novamente o PMDB seria uma pesquisa recém-concluída, sobre a repercussão da aliança entre os dois partidos.

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