Requião mantém posição sobre RTVE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de abril de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem durante a reunião do secretariado que concorda com a decisão do juiz da 1 Vara Federal de Curitiba, Friedmann Wendpap, que anulou em caráter liminar o teste seletivo realizado pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) para contratar 73 profissionais que iriam trabalhar na Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE). No entanto, o governador afirmou que não vai fazer concurso público para contratar jornalistas e garantiu que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) vai resolver a questão.
Segundo Requião, se ele fosse o juiz faria a mesma coisa porque o convênio com a Funpar foi malmontado. Mas o governador descartou a possibilidade de um concurso público, como determina a decisão de Wendpap, para contratar os novos jornalistas. ''A RTVE tem uma estrutura dinâmica e não comporta estatutários que não fazem nada e só estão lá esperando a aposentadoria'', afirmou Requião. Para o governador, a televisão precisa ter liberdade para trocar o quadro de funcionários quando preciso.
Apesar das declarações do governador, o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, afirmou que o governo vai pedir reconsideração ao juiz sobre sua decisão. Segundo o procurador, o juiz Wendpap baseou sua sentença no primeiro edital publicado, que mencionava a contratação de profissionais apenas para a RTVE e não para a UFPR e a Funpar. ''Este foi um erro da Funpar e que foi corrigido e um segundo edital publicado logo em seguida'', explicou. Botto de Lacerda afirmou que Requião referia-se a este problema ao criticar o convênio.
A questão começou em maio do ano passado, quando a Justiça ordenou a demissão de 171 jornalistas e técnicos que trabalhavam para a emissora mediante pagamento de cachê, dando prazo até março deste ano para que o governo realizasse concurso para contratar pessoal. A ação foi proposta pelo vereador de Curitiba Fábio Camargo (PFL). O vereador afirmou ontem que vai entrar com uma nova ação porque os funcionários continuam trabalhando até hoje. Camargo também fez ontem, na tribuna da Câmara, críticas ao governador por ele dizer que os funcionários públicos não trabalham. ''Quem não pode trabalhar é porque sofre interferência política e técnica'', afirmou.
O diretor da RTVE, Marcos Batista, informou que até hoje deveria ser decidido como vai ficar a situação dos funcionários que continuam trabalhando na televisão e na rádio sem concurso. Segundo ele, muitos funcionários já saíram da RTVE, sendo pelo menos 30% por que não passaram no concurso da Funpar.
Pelo convênio, os 73 profissionais seriam contratados pela Funpar através de um teste seletivo simplificado para atuar na RTVE e em emissoras da UFPR e da Funpar. Porém, no cronograma de pagamento o salário dos profissionais, no valor de R$ 4,268 milhões, seriam pagos integralmente pelo governo. A contrapartida de recursos da Funpar no convênio seria de apenas R$ 30 mil.


