Requião mantém candidatura e critica PMDB
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Evandro Fadel<BR>Agência Estado 
Curitiba - O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), afirmou que manterá a pré-candidatura à Presidência da República, apesar de a direção nacional do partido já estar em conversas para confirmar a aliança com o PT. ''Mais do que nunca há necessidade de um candidato progressista e popular dentro do PMDB'', reagiu Requião, em entrevista ontem, em Curitiba. Para ele, a convenção de sábado, que reconduziu o deputado federal Michel Temer à presidência da legenda, foi um ''golpe'', por encurtar prazos e não dar tempo de se inscreverem chapas.
''Eu não diria nem (chapa) de oposição, mas agora mostraram as garras designando o Meirelles (Henrique, presidente do Banco Central) para fazer um programa para o PMDB'', criticou o governador. ''O PMDB é o partido das classes populares, o Meirelles representa o capital vadio, os banqueiros, o capital que não produz nada, a especulação das bolsas, o lucro fantástico dos bancos, e isso nos estimula ainda mais, mexe com nossa adrenalina e nos chama à responsabilidade de participar da convenção com um programa nacionalista e popular em contraponto a esta corrupção do PMDB, corrupção de seus princípios básicos.''
Requião disse que, após o carnaval, organizará a programação para percorrer os Estados. ''A base do PMDB quer candidato próprio, quer candidato popular'', garantiu. Pouco antes da entrevista, ele tinha mostrado insatisfação com o partido na Escola de Governo, reunião semanal com os assessores diretos, transmitida pela televisão estatal. ''O Temer está falando em coligação a partir de um plano de governo redigido pelo Meirelles, que é representante da Associação Brasileira de Bancos Internacionais. É por isso que eu me preocupo com o encaminhamento da arrecadação do Estado do Paraná e da continuidade, validade e permanência das medidas tributárias que tomamos'', afirmou.
De acordo com ele, Meirelles deixou o PSDB, pelo qual foi eleito deputado federal por Goiás, para entrar no PMDB, ''por indicativo do presidente da República''. E, agora, o presidente do Banco Central é encarregado de elaborar o plano que será levado para a aliança. ''O que demonstra que a aliança, que parecia circunstancial, uma necessidade política de momento, acabou se consolidando'', criticou. ''Para mim, como cidadão e governador, é de paladar muito amargo e de digestão muito difícil a aliança que estamos vendo no Brasil nesta antecipação do processo eleitoral.'' Requião lamentou que o ''velho PMDB de guerra'' estaria ''alugado pelo capital internacional''. ''Mas eu espero que mais à frente a gente consiga resolver esse problema'', destacou.


