Curitiba - O primeiro ato do segundo governo de Roberto Requião (PMDB) ocorreu ainda ontem, logo depois da posse. Ele iria inaugurar o prédio onde ficava o antigo esqueleto abandonado do Fórum de Curitiba que foi restaurado e deverá abrigar a equipe governamental por mais de um ano, enquanto o Palácio Iguaçu será reformado. Requião mandou que a estrutura –que estava pronta– com divisórias entre algumas salas fosse completamente arrancada. A intenção do governador é fazer com que os funcionários públicos trabalhem sem divisórias para que todos possam ser vistos e o trabalho desenvolvido possa ser analisado. ‘‘Não quero buracos, salinhas. Quero tudo aberto para que se possa ver o que está acontecendo. Manda derrubar tudo’’, disse, irritado, logo após visitar o 6º andar (onde ficaria o gabinete governamental).
  Requião acredita que as salas fechadas facilitam a corrupção e o descaso com o trabalho público. ‘‘Repartição pública precisa ser aberta, com ilhas de serviço. Sem buraco para funcionário se esconder. Chefe tem que trabalhar com os funcionários, fiscalizando. Meu primeiro ato é derrubar tudo o que fizeram aqui’’, disse o governador, criticando os corredores apertados entre os espaços. O novo prédio, que também abrigaria as secretarias, terá que passar por uma nova reforma. O secretário de Estado de Obras Públicas, Luiz Dernizo Caron, acredita que o trabalho demorará mais de uma semana para ser concluído. ‘‘A manifestação do governador é legítima. Meu projeto original era de vãos livres. Terei que saber porque o projeto não foi respeitado na íntegra. Eu previa biombos para separar ambientes com 1,3 metro. Não era para ser assim’’, confidenciou.
  Caron não sabe de onde virão os recursos para arrumar a estrutura interna do prédio. ‘‘Alguém vai ter que pagar por isso. E não serei eu’’, disse chateado. Apesar do incidente, o vice-governador Orlando Pessuti enalteceu a remodelação do prédio –que era sinônimo de desperdício público. ‘‘Ele deixa de ser agora sinônimo de desperdício, omissão e descaso.’’ O antigo fórum de Curitiba começou a ser construído em 1987 e teve as obras interrompidas em 1991 (primeiro governo de Requião). As obras de remodelação começaram no dia 3 de agosto. Na primeira etapa, foram retirados os quatro últimos andares. A justificativa era a de que a estrutura antiga não tinha segurança, nem sustentação. Foram gastos R$ 29,5 milhões na reforma do prédio.
  Ao todo, são sete elevadores (um deles será exclusivo do governador). Do antigo projeto de 39.291 metros quadrados, o prédio ficou com 29.736 metros quadrados, incluindo o subsolo (que será usado como estacionamento) e a cobertura (onde será o salão de eventos, a cozinha e o escritório privativo). O gabinete do governador ficará no último andar. No térreo foram projetados dois auditórios, um restaurante, a biblioteca e um espaço para abrigar futuramente uma agência bancária. Na fachada foram instaladas brises –chapas parecidas com persianas que são capazes de conter a luz solar e evitar o uso de cortinas. (L.P.)

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