Requião manda carta 'marota' para Alvaro
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terça-feira, 01 de junho de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) mandou uma carta 'marota' para o senador Alvaro Dias (PSDB). Irritado com um pronunciamento feito pelo senador, o governador decidiu revidar. Alvaro subiu à tribuna do Senado no último dia 24 de maio para comentar, entre outras coisas, a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF) que decretou intervenção no Paraná por descumprimento de ordem de despejo de sem-terra na Fazenda Sete Mil, na região do Vale do Ivaí.
''Puxa Alvaro, como você está terrível'', começa a carta endereçada ao senador que circulou ontem no Senado. ''Quanto ódio no seu coração. Eu, por meu lado, continuo achando que preciso dos senadores do Paraná. Por antecipação, você um dia foi meu amigo, já está perdoado. O perdão é um dom dos vitoriosos. O perdão é divino. Por outro lado, te remeto ao Salmo 91: ''Mil cairão ao teu lado e dez mil a tua direita, mas não será atingido''. Como diz a música: ''Na casa do senhor não existe satanás'', diz o governador em outro trecho, em tom irônico.
''Aproveite melhor o seu tempo: tente ioga, relaxamento e por que não, práticas de meditação? Quem sabe um dia o Lula volta atrás e te nomeia embaixador na Bélgica (numa referência à intenção do senador, no início do governo petista, de virar representante do Brasil no exterior), te livrando desta angústia, desta aflição, enchendo seu coração de alegria. Quiçá, quiçá, quiçá... Deus te abençõe, Roberto Requião de Mello e Silva, governador do Paraná, pela segunda vez. Ps.: neste seu ritmo certamente o serei ainda uma terceira vez'', finaliza a carta de Requião.
Procurado pela Folha, Alvaro reagiu à carta. Disse que recebeu o ofício ontem e que pelo tom, ''Requião não tem mais o que fazer''. ''Prefiro o Casseta&Planeta (programa de humor da Rede Globo). O governador do Paraná está querendo concorrer com o Bussunda (um dos integrantes do Casseta).'' Alvaro disse que Requião está irritado, porque ele, como senador, tem tocado em temas complicados para o Estado. ''Os agricultores estão amargando prejuízos, bem como os produtores de soja'', afirmou. ''Essa vocação dele (do governador) para a ironia, disposição em concorrer, custa caro.''
Roberto Requião e Alvaro Dias já foram aliados políticos no passado. Alvaro era governador quando Requião concorreu pela primeira vez ao governo do Estado, em 1990, elegendo-se. Eram companheiros no velho MDB. Na eleição de 1994, quando Alvaro concorreu com Jaime Lerner (PSB), sendo derrotado por este, Requião concorreu ao Senado. Alvaro o acusa até hoje de não ter se empenhado na campanha. Começou aí o rompimento. Na eleição de 1998, quando Requião perdeu para Lerner, Alvaro concorreu ao Senado. Requião o acusou de firmar um acordo branco com Lerner, o que lhe teria custado a eleição. Em 2002, Alvaro e Requião se enfrentaram nas urnas já como inimigos declarados, na briga pelo segundo mandato (de ambos) ao governo do Paraná. Requião venceu e assumiu o governo. Alvaro continuou no Senado.


