Requião lembra 'tempos sufocantes'
Curitiba O governador Roberto Requião, que participou de várias manifestações na época da ditadura e tem um ficha extensa nos arquivos da extinta Dops falou à Folha sobre a sua atuação no movimento estudantil e político da época. Acompanhe a entrevista:
Folha O senhor se sentiu mal quando soube que era fichado na Dops?
Requião Não, de forma alguma. Ser fichado na Dops era uma das contingências da vida àquela época. Era como que o registro, o seu atestado de batismo ou crisma, sinetando a sua condição de opositor à ditadura, de reafirmação de sua condição de resistente e democrata. E todos sabíamos, à mais simples manifestação de inconformismo com o estado de coisas reinante, lá estava o seu nome nas fichas da Dops.
Folha Como era viver em um período em que todo tipo de manifestação era reprimida?
Requião Tempos difíceis, sufocantes. No entanto, uma época de vida intensa, trepidante, de desafios, de criação, de entrega generosa à utopia da construção de uma sociedade igual, justa, fraterna, feliz. A repressão, todas as restrições existentes não foram suficientes para segurar a energia dos jovens daquela época.
Folha Os reprimidos daquela época seguiram o caminho da esquerda?
Requião Sim, acredito que todos. Entendendo esquerda como sinônimo de humanismo, de mudança, de transformação, de generosidade, de entrega, de compromisso com os interesses nacionais e populares.
Folha - O senhor continua com o mesmo espírito daquela época? O que mudou?
Requião - Sim. Os meus pontos de vista não mudaram, porque a realidade brasileira, e do próprio mundo, não mudou. Permanecem os nossos ideais, de justiça, igualdade, paz, fraternidade, e de uma vida melhor para todos. Os nossos sonhos eram bons sonhos e ainda continuam atuais, necessários, possíveis de se transformar em realidade.





