Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) foi irônico ao comentar com os jornalistas a nota oficial das concessionárias. ''Agora são quatro bilhões? Não eram três? Daqui a pouco serão cinco ou seis bilhões.'' O governador disse que as concessionárias se apegam demais ao pedágio. ''Se eles vão ter prejuízos, por que não largam?'', questinou o governador, durante o encontro dos estados produtores de álcool, no auditório do Museu Oscar Niemeyer.
Requião lembrou que a encampação está sendo discutida na Justiça, mas reafirmou seu compromisso de campanha: ou o pedágio abaixa ou acaba. Recentemente, o governo conseguiu respaldo na Justiça, através de liminares, para assumir a administração das praças. As ações, protocoladas pelas concessionárias e advogados, alegavam em linhas gerais que o Estado pode ter prejuízos financeiros com a encampação.
Em entrevista à Folha por telefone, o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, foi incisivo na crítica. O advogado disse que leu a nota oficial da ABCR e a considerou de ''um cinismo sem igual''. ''É uma contradição. Eles sonegam dados ao DER mas os entregam à FGV?'', reclamou. Botto de Lacerda rebateu pontos da nota. Afirmou que a auditoria feita pelo governo não é unilateral. O procurador-geral garante que a indenização total será bem menor, cerca de 10% dos R$ 4 bilhões. ''Ficará na casa dos milhões.''
Segundo Botto de Lacerda, os deputados estaduais devem receber, até o dia 30 deste mês, números aproximados da indenização a ser paga em caso de encampação. Os valores devem ser encaminhados, como previsão, junto com o orçamento de 2004, que precisa ser aprovado pela Assembléia Legislativa. (Maria Duarte e Vânia Casado)

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