Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) foi econômico ao comentar ontem em Londrina a prisão, que durou 14 horas, de Hubert e Campêlo Filho. Após discursar na abertura oficial da 44 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o governador usou da ironia para comentar em uma entrevista à Rádio Paiquerê AM a prisão de dois ex-secretários de Lerner. Foi a primeira fala de Requião sobre o caso. ''Acho que essas coisas têm que acabar na cadeia mesmo. O Estado foi roubado, Londrina foi roubada. A impunidade tem que cessar no Paraná e no Brasil. O pessoal me cobra muito a penitenciária aqui, que vai ser construída, agora teremos que selecionar quem vai para a cadeia.''
A assessoria de imprensa da Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou ontem que o presidente da estatal, Paulo Pimentel, não vai se manifestar sobre a nota distribuída anteontem pelo escritório do ex-governador Jaime Lerner (PSB), na qual os ex-secretários Ingo Hubert (Fazenda) e José Cid Campêlo Filho (Governo) aparecem se defendendo e acusando o atual governo de usufruir de contrato entre a Copel e a Adifea.
A apresentação de uma defesa por parte da Copel havia sido prometida anteontem pela Comunicação do Palácio Iguaçu, ao tomar conhecimento da nota dos ex-secretários. Na nota, Hubert diz que o contrato entre Copel e Adifea ''evitou prejuízos ao Paraná e seus resultados continuam sendo usados pelo atual governo''. De acordo com Hubert, em 2002 a Copel contratou a Adifea ''para dar uma solução definitiva à questão que se arrastava desde 1998, relativa a créditos de ICMS sobre ativos permanentes. A matéria em questão é de alta complexidade. Ao contrário do que foi denunciado, a Adifea não foi contratada para fazer um simples levantamento dos créditos, trabalho este que já havia sido realizado por técnicos da Copel''.
O que estava em jogo era a construção de uma equação tributário-contábil que fosse a um só tempo boa para Copel e Estado, mas que, sobretudo, não criasse precedentes, diz a nota. ''Se a equação não fosse perfeita, o Estado se obrigaria a dispensar automaticamente o mesmo tratamento a todas as empresas detentoras de créditos permanentes. Isso simplesmente quebraria o Estado'', argumentou Hubert.

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