Requião insiste em antecipar a convenção nacional do PMDB
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaEstratégiaRequião: Muitos peemedebistas vão ficar reféns dessa decisão impensadaO senador Roberto Requião ainda não sabe que estratégia política vai adotar para reverter a manifestação da maioria das lideranças do PMDB que está disposta a abortar a sua tese de convenção nacional antecipada. Estão querendo transformar o PMDB numa armadilha, protestou ontem o senador, que defende candidatura própria e oposição à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Segundo ele, convenção nacional depois de 2 de outubro - prazo limite para que os interessados em concorrer às eleições 98 façam suas opções partidárias - impede os eventuais derrotados de trocarem de sigla. E é isso que o Palácio do Planalto quer. Muitos peemedebistas ficarão reféns dessa decisão impensada, avalia o senador, que continua defendendo o dia 21 de setembro para o encontro nacional.
Requião e o presidente nacional da Fundação Pedroso Horta, José Aristodemo Pinotti, levaram ontem à tarde ao presidente nacional do PMDB, deputado federal Paes de Andrade, uma cópia do documento aprovado no encontro nacional das direções estaduais da Fundação, em Curitiba, no último sábado. Estamos dispostos a marcar posição, diz.
O documento pede a convenção já e sugere lançamento de candidatos próprio à presidência da República. Não consta do manifesto, mas José Aristodemo Pinotti defendeu, na sexta-feira passada, os senadores Requião e José Sarney (PA) como pré-candidatos do grupo. Requião foi cotado como o candidato das esquerdas.
Requião nega que a convenção antecipada faça parte do seu plano - em caso de derrota - de se transferir para o PDT. Eu não saio do PMDB de jeito nenhum. O que eu defendo é uma coligação com o PDT. Sou do PMDB e quero que o meu partido se resolva, declarou.
O senador não quis confirmar o assédio que estaria sofrendo do grupo político ligado ao presidente nacional do PDT, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola. A direção estadual do PDT tratou de desfazer qualquer convite a Requião. Em nota oficial, o presidente Nelton Friedrich disse que neste momento, as direções estadual e nacional não cogitam qualquer apoio ou busca de candidaturas ao governo do Paraná. Nem mesmo Leonel Brizola está tratando deste assunto com quem quer que seja.
As dificuldades em se viabilizar a definição pela candidatura própria já aproximam Requião mais da disputa estadual. Esta é a avaliação do líder do PMDB na Assembléia Legislativa, Orlando Pessuti, que fez uma visita ontem à direção da Folha.
Segundo o deputado, o lançamento do senador ao governo é mais vantajoso para os candidatos do PMDB, principalmente os que disputam a reeleição em 98. Já ficou comprovado que o melhor balizador de uma campanha majoritária é o candidato ao governo, avalia.
Pessuti diz ainda que o candidato ao Senado não puxa votos como o candidato ao governo. Ele lembra da eleição de 94, quando Requião fez mais votos que o governador Jaime Lerner, e que a oposição elegeu menos candidatos que a situação. (L.D.)


