Requião inicia campanha criticando o presidente
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terça-feira, 20 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) iniciou pela Rodoviária de Brasília a campanha eleitoral à Presidência da República. Requião transformou em comício uma entrevista à Rádio Cultura, a partir do ponto de maior circulação de cidadãos na capital.
Ele disse que o ex-presidente Fernando Collor de Mello e o presidente Fernando Henrique Cardoso são quase iguais.
Segundo o senador, os governistas, encabeçados pelos líderes na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e no Senado, Jáder Barbalho (PA), trocaram a tradição e a história de combate deles próprios e do partido por meia dúzia de emendas e de favores.
Requião defendeu a reforma agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e chamou o governo de mentiroso.
Requião disse que o MST é uma bênção de Deus para o governo federal porque evita a anarquia absoluta do campo. Vejam vocês, desde que começou o Plano Real, desapareceram no Brasil 400 mil unidades produtivas rurais. Em seguida, o senador fez umas contas e concluiu que o fim das 400 mil unidades resultou no prejuízo a 4 milhões de agricultores. O governo federal jogou na miséria 4 milhões de brasileiros que trabalhavam no campo, e fala, sem nenhuma vergonha, que assentou 80 mil famílias.
Depois de meia-hora de discurso, Requião passeou por alguns minutos pela Rodoviária - aonde circulam, segundo dados oficiais, cerca de 400 mil pessoas, todos os dias.
A todos que encontrou, Requião fez um discurso de ataque ao governo. O Fernando Henrique é aposentado na USP (Universidade de São Paulo) e, sem nenhuma dúvida, não vai recusar a aposentadoria de ex-presidente da República, disse. Quanto ao ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, Requião afirmou que se aposentou precocemente, aos 43 anos. Foi uma aposentadoria safada na Prefeitura de Curitiba.


