Requião inclui Londrina e Maringá entre anistiados
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O projeto de lei de autoria do Executivo que trata do perdão a dívidas de municípios do Paraná agora inclui Londrina e Maringá. Quando a proposta de anistia foi anunciada pelo governador Roberto Requião (PMDB), no início do mês, os municípios beneficiados seriam apenas seis: Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais, Campo Largo, Fazenda Rio Grande e Piên - todos da Região Metropolitana de Curitiba. Mas, o projeto de lei enviado anteontem para a Assembleia Legislativa do Estado também inclui os dois municípios da região Norte do Estado. Somadas, as dívidas das oito cidades com o Estado representam R$ 959,9 milhões (veja quadro), em valores atualizados para 2009.
Na justificativa do projeto de lei, assinada pelo governador, está escrito que o objetivo é chegar a uma solução para o problema dos contratos de financiamento celebrados entre as companhias de desenvolvimento municipais e o Estado, por intermédio do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) e do então Banestado, cujas operações foram adquiridas pelo ente estatal, por ocasião do processo de saneamento e privatização daquela instituição financeira.
A informação inicial sustentava que as dívidas eram todas relativas à década de 90, mas há pendências mais antigas. As dívidas das companhias de desenvolvimento de Curitiba, cerca de R$ 464 milhões, e de Londrina, cerca de R$ 127 milhões, remontam às décadas de 70 e 80.
O texto de justificativa do projeto também esclarece que, no passado, o Estado chegou a assumir parcela das dívidas das companhias de desenvolvimento de Curitiba e Londrina, o que teria gerado instituto jurídico da confusão. Na lista de razões que teriam motivado a elaboração do projeto de lei, além de constar que a anistia resolveria o instituto da confusão, está escrito que a proposta representa uma solução para minimizar problemas econômicos, já que as dívidas impediriam que os municípios pleiteiem novos financiamentos a instituições oficiais de fomento ou de desenvolvimento.
O governador Requião também culpa a administração do ex-governador Jaime Lerner, alegando que agora o Executivo corrige injustiça praticada por imperícia da administração estadual à época. O dinheiro do Estado financiou, por exemplo, incentivos a empresas multinacionais que se instalaram nos municípios.
O Estado alega que a anistia não implica em renúncia de receita, já que se trata de concessão de benefício ou incentivo de índole tributária.
O líder da base aliada na Assembleia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), prevê que o projeto de lei seja votado na Casa até a primeira quinzena de novembro.


