Requião ignora TRF e usa RTVE para criticar jornal
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terça-feira, 18 de março de 2008
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A limitação do que falar na escola de Governo - transmitida pela Rádio e Televisão Paraná Educativa (RTVE) - não foi suficiente ontem para fazer com que o governador Roberto Requião (PMDB) poupasse críticas a um veículo de comunicação - que estaria dando informações ''orquestradas'' sobre os dados de criminalidade no Paraná. ''Dizem que dobramos o número de mortes no Paraná e isso efetivamente não aconteceu. Temos problemas de criminalidade, mas não nos níveis que querem fazer parecer'', disse Requião, que voltou a criticar a facilidade da evasão de presos do regime semi-aberto da Colônia Penal Agrícola (CPA), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba).
O governador apresentou números. Em 2007, 1.090 presos saíram com portaria para visitar suas casas e não retornaram mais. Neste ano, já foram 254. Somente nos primeiros dois meses deste ano, 284 pessoas evadidas da Colônia Penal Agrícola foram presas no interior cometendo crimes. ''Estamos convocando a sociedade a ajudar a resolver este problema. Agora eu tento responder aos jornais e não me dão direito de resposta'', desabafou. A irritação de Requião foi aumentada com a intimação recebida anteontem para que ele se defenda, no prazo de 15 dias, de ação movida por um jornal de Curitiba e que pede indenização por danos morais sofridos durante exposição de Requião, na escola de Governo.
Numa das reuniões de secretariado, Requião criticou dois periódicos paranaenses que estariam tentando burlar as licitações estaduais puxando os preços de publicidade legal para cima. ''Isso é absolutamente insuportável. A liberdade de expressão tem que ser assegurada por qualquer meio de divulgação, de comunicação. A nossa parada pela moralidade e pela ética é dura. É difícil defender o interesse público'', salientou. Requião teve limitação de críticas a instituições, adversários e imprensa confirmada pelo colegiado do Tribunal Regional Federal (TRF), de Porto Alegre. A cada vez que desrespeita a decisão, ele está sujeito a multas. ''Será que o que estou falando aqui vai me gerar multa? Se eu for, quanto de dívida eu deixarei para o governo do Paraná? Eu não sou corrupto, todos sabem disso. Quero apenas ter o direito de denunciar as falcatruas que ocorrem no Paraná. Não posso ser processado por dizer a verdade!'', alertou.
Requião disse que mesmo sob a ameaça de multa, determinada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, iria falar. ''Eu fiquei pensando muito antes de abrir dessa forma a reunião. Pensei: sou um homem ou sou um rato? Rato eu não sou!'' O procurador Geral do Estado, Carlos Frederico Marés, confirmou a existência do processo de um jornal de Curitiba contra Requião e que foi movido no ano passado. Requião tem 15 dias para responder. Como a ação é pessoal, advogados de Requião é que ficarão incubidos de responder o processo cível. Quanto à decisão do colegiado do TRF de manter as limitações nas exposições públicas de Requião através da RTVE, Marés disse que aguarda a publicação do mérito para buscar novas estratégias jurídicas.
Procurado pela reportagem, o Ministério Público Federal (MPF) informou que vai solicitar a fita da reunião - como faz toda terça-feira - para analisar o conteúdo das declarações do governador. Só depois a Procuradoria divulgará se cabe alguma providência judicial.


