Embora a CPI tenha decidido convidar todos os ex-prefeitos e governadores que emitiram títulos de forma irregular, o presidente da Comissão, Bernardo Cabral (PFL-AM), não aceitou ontem assinar os ofícios que seriam encaminhados aos chefes de Executivo, com as datas dos respectivos depoimentos. ‘‘A data precisa ser acertada previamente com cada um deles’’, justificou Cabral. ‘‘Não mando o convite antes de saber se aceitam vir depor e acertar previamente com eles a data’’, argumentou.
Ao tomar conhecimento da decisão de Cabral, o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), mandou o secretário da Comissão, Luiz Cláudio Britto, assinar os ofícios e encaminhá-los aos chefes de Executivo. Como o ofício não está assinado pelo presidente da CPI, mas sim por um funcionário do Senado, ninguém consegue avaliar qual será a reação dos governadores e ex-prefeitos.
Diante da situação, alguns integrantes da CPI acham que é pouco provável que o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), deponha na terça-feira, como estava programado. Pitta iria falar na qualidade de ex-secretário de Finanças da gestão Paulo Maluf. Em defesa de sua posição, Bernardo Cabral afirmou que a CPI não aprovou a convocação dos chefes de Executivo. ‘‘Apenas decidiu que eles seriam convidados e, caso aceitassem, marcaríamos a data’’, afirmou.
O presidente da CPI argumentou que não pode marcar data e local de depoimento de um governador, à revelia dele, pois a legislação prevê que os chefes dos executivos estaduais podem escolher o local do depoimento e o dia. O único depoimento acertado, até agora, é do governador de São Paulo Mário Covas (PSDB), que em telefonema dado a Bernardo Cabral aceitou depor no próximo dia 17.
Anteontem, o relator da CPI estabeleceu um cronograma para os depoimentos de ex-prefeitos e governadores. O primeiro a depor seria o prefeito Celso Pitta, na terça-feira. O segundo, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), na quarta-feira. Ontem, Bernardo Cabral disse que não existe decisão da CPI para a convocação de Maluf. Na quinta-feira, de acordo com o cronograma de Requião, seria a vez do ex-prefeito de Osasco, Celso Giglio.
O cronograma de Requião previa também os depoimentos do ex-vice-prefeito de Campinas Edivaldo Orsi, do governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), do governador de São Paulo, Mário Covas, do ex-prefeito de Guarulhos Vicentino Papoto e do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB).
A questão do convite aos chefes de Executivo pode se transformar numa grande crise política dentro da CPI. Alguns integrantes da comissão receberam indicações de que o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), não aceita depor. ‘‘Ele está dizendo informalmente que não virá de jeito nenhum’’, confidenciou um senador.
O único a depor até agora foi o governador de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB). O depoimento foi realizado na noite de quarta-feira e mostrou o que poderá acontecer quando líderes políticos mais expressivos forem à CPI. Por pouco, não aconteceu uma acareação entre Suruagy e o ex-governador de Alagoas Moacir Andrade (PPB-AL), que atualmente é deputado federal e estava na sala do depoimento.

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