Requião ignora Cabral e chama políticos
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Embora a CPI tenha decidido convidar todos os ex-prefeitos e governadores que emitiram títulos de forma irregular, o presidente da Comissão, Bernardo Cabral (PFL-AM), não aceitou ontem assinar os ofícios que seriam encaminhados aos chefes de Executivo, com as datas dos respectivos depoimentos. A data precisa ser acertada previamente com cada um deles, justificou Cabral. Não mando o convite antes de saber se aceitam vir depor e acertar previamente com eles a data, argumentou.
Ao tomar conhecimento da decisão de Cabral, o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), mandou o secretário da Comissão, Luiz Cláudio Britto, assinar os ofícios e encaminhá-los aos chefes de Executivo. Como o ofício não está assinado pelo presidente da CPI, mas sim por um funcionário do Senado, ninguém consegue avaliar qual será a reação dos governadores e ex-prefeitos.
Diante da situação, alguns integrantes da CPI acham que é pouco provável que o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), deponha na terça-feira, como estava programado. Pitta iria falar na qualidade de ex-secretário de Finanças da gestão Paulo Maluf. Em defesa de sua posição, Bernardo Cabral afirmou que a CPI não aprovou a convocação dos chefes de Executivo. Apenas decidiu que eles seriam convidados e, caso aceitassem, marcaríamos a data, afirmou.
O presidente da CPI argumentou que não pode marcar data e local de depoimento de um governador, à revelia dele, pois a legislação prevê que os chefes dos executivos estaduais podem escolher o local do depoimento e o dia. O único depoimento acertado, até agora, é do governador de São Paulo Mário Covas (PSDB), que em telefonema dado a Bernardo Cabral aceitou depor no próximo dia 17.
Anteontem, o relator da CPI estabeleceu um cronograma para os depoimentos de ex-prefeitos e governadores. O primeiro a depor seria o prefeito Celso Pitta, na terça-feira. O segundo, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), na quarta-feira. Ontem, Bernardo Cabral disse que não existe decisão da CPI para a convocação de Maluf. Na quinta-feira, de acordo com o cronograma de Requião, seria a vez do ex-prefeito de Osasco, Celso Giglio.
O cronograma de Requião previa também os depoimentos do ex-vice-prefeito de Campinas Edivaldo Orsi, do governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), do governador de São Paulo, Mário Covas, do ex-prefeito de Guarulhos Vicentino Papoto e do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB).
A questão do convite aos chefes de Executivo pode se transformar numa grande crise política dentro da CPI. Alguns integrantes da comissão receberam indicações de que o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), não aceita depor. Ele está dizendo informalmente que não virá de jeito nenhum, confidenciou um senador.
O único a depor até agora foi o governador de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB). O depoimento foi realizado na noite de quarta-feira e mostrou o que poderá acontecer quando líderes políticos mais expressivos forem à CPI. Por pouco, não aconteceu uma acareação entre Suruagy e o ex-governador de Alagoas Moacir Andrade (PPB-AL), que atualmente é deputado federal e estava na sala do depoimento.


