Requião: governador traiu pai adotivo
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sexta-feira, 15 de agosto de 1997
Claudio Osti Londrina 
A possibilidade de o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, disputar o governo do Paraná, caso o governador Jaime Lerner deixe mesmo o PDT (o que ocorreu ontem à noite) para ingressar no PFL, foi considerada ontem pelo senador Roberto Requião (PMDB) uma briga de família. O Brizola é o pai adotivo do Lerner. Arrumou emprego para ele e para os amigos dele no governo do Rio de Janeiro quando estavam desempregados. Olha, gosto muito do Brizola para falar mal dele, mas o que está havendo é uma ingratidão do menino de rua que ele adotou. Que se entenda bem: menino de rua no sentido político, disse Requião.
O senador esteve em Londrina para o que ele chama de campanha de esclarecimento sobre as contas do Paraná. Antes de seguir em peregrinação para Campo Mourão, Requião negou que já esteja em campanha para o governo do Estado. Com o senador estavam os deputados estaduais Luiz Cláudio Romanelli, José Tavares e Orlando Pessutti, todos do PMDB.
Requião empunhava um documento chamado Alerta Vermelho, Paraná. Nele o senador faz uma análise das contas do governo do Estado, com base no Balanço Geral de 1996 e dos primeiros demonstrativos financeiros de 1997.
A seguir os principais pontos da entrevista coletiva concedida no Hotel Bourbon em Londrina:
Caixa do governo - O governo está em estado de insolvência. Para cada 1 real de dívida, o governo tem apenas 58 centavos. Hoje o gasto com o funcionalismo corresponde a 95% da receita líquida. O Lerner está vendendo ativos, como as ações da Copel, para cobrir a folha de pagamento.
Publicidade - O governo gastou em 1996 R$ 100 milhões com divulgação e propaganda, conforme relatório do Tribunal de Contas. Ou seja, 13 vezes mais do que o governo anterior no mesmo período. Pior, gastou apenas R$ 3 milhões a mais com a saúde da população do Paraná do que com propaganda.
Montadoras - O governador Jaime Lerner não apresentou os protocolos ainda porque tem medo do que pode acontecer. Ele tirou dinheiro do contribuinte do Paraná para financiar uma montadora. Ele vende a Copel e vira sócio da estatal francesa Renault. Enquanto isso, 1.666 empresas paranaenses fecharam as portas de 96 para cá por falta de incentivo.
CPI - Eu não seria relator da CPI se fosse para acabar em pizza. Não acabou. Diversas instituições financeiras foram liquidadas pelo Banco Central. A Assembléia Legislativa de Santa Catarina abriu um processo de impeachment contra contra o governador. E foram bloqueados os bens de Paulo Maluf e Celso Pitta. Esperamos agora que os grandes bancos sejam punidos também.
Eleição - Não sou candidato. Isso precisa ser amadurecido dentro do partido. Por enquanto, o que nós queremos é fazer uma campanha de esclarecimento ao povo do Paraná. Mas, com certeza, nós da oposição vamos ganhar essa eleição. Temos bons nomes. O Álvaro Dias (PSDB) também pretende ser candidato, não vejo problema em fazer uma dobradinha com ele, mas conversas partidárias só são decididas lá na frente. Por enquanto temos que estar bem é com o povo.


