Requião garante mudanças no orçamento
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As mudanças propostas pelo governador eleito Roberto Requião (PMDB) ao orçamento do Estado para 2003 deverão ser aprovadas com tranquilidade graças a um acordo político firmado entre as bancadas do governo e oposição. Isso porque a atual oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) ainda é minoria na Casa: Lerner tem, em tese, o apoio de pelo menos 30 dos 54 deputados.
Ciente de que precisa de um bloco coeso para defender os interesses de Requião neste final de governo Lerner, o PMDB está trabalhando para consolidar uma boa base de apoio. Já fazem parte desse grupo deputados do PMDB, PT, PL, PPS, além do presidente da Casa, Nelson Justus (PFL), Rafael Greca (PFL) e Geraldo Cartário (PSL). A partir do ano que vem, a base de apoio ao novo governo deve ficar com cerca de 35 deputados. ''Teremos ampla maioria'', acredita o articulador político de Requião e cotado para a Casa Civil, o deputado Caíto Quintana (PMDB).
O acordo entre situação e oposição, para facilitar as mudanças na proposta orçamentária, passa pela eleição da mesa executiva da Assembléia Legislativa, prevista para meados de fevereiro do ano que vem. Hoje, na sala da liderança da oposição, deputados se reúnem para discutir a eleição, bem como o orçamento e outros assuntos de interesse do Poder Legislativo. ''Há consenso em aprovar as alterações do Requião no orçamento'', afirmou o presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB).
O líder do governo e relator do orçamento, Durval Amaral (PFL), está aguardando por escrito os pedidos de alteração do PMDB cujo remanejamento orçamentário é próximo a R$ 80 milhões para costurá-los na mensagem encaminhada pelo Palácio Iguaçu. Amaral prometeu acatar as sugestões, desde que não firam a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Requião quer recursos para programas de primeiro emprego, frentes de trabalho, fornecimento de leite, água e energia suas promessas de campanha.
Desde que foi confirmada a vitória de Requião nas urnas, governistas e oposição estão mantendo a política da boa vizinhança na questão do orçamento para não atrapalhar ainda mais o processo de transição, parado desde o último dia 19, quando o secretário da Fazenda e chefe da equipe de transição lernerista, Ingo Hubert, cancelou a reunião. Hubert ficou irritado com declarações do porta-voz do PMDB, vice-governador eleito Orlando Pessuti, que questionou a veracidade de números fornecidos pelo primeiro escalão do governo.


