Requião garante aliança no Estado
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Segundo o governador Roberto Requião (PMDB), um possível rompimento da aliança entre PT e PMDB em nível nacional não altera o relacionamento que as duas siglas mantêm no Estado. Aliados desde a eleição de Requião para o governo em 2002, o relacionamente entre o PT e o PMDB deteriorou após três candidatos do PT apoiados por Requião terem sido derrotados no segundo turno em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa.
Requião destacou que mesmo sendo aliado e amigo pessoal de Lula nunca poupou o governo federal de críticas, especialmente na área econômica. Justamente esse posicionamento crítico do governador, porém, deflagrou uma crise após o presidente estadual do PT, André Vargas, queixar-se dos ataques de Requião ao governo federal. ''O governador critica os programas do Lula e depois apóia os candidatos do PT. A população não entende isso'' afirmou Vargas.
Embora ambos os lados afirmem que a crise tenha sido contornada, o anúncio de independência dos caciques do PMDB em nada ajuda a melhorar o relacionamento das duas siglas. Tanto setores do PT como os do PMDB em todo o Estado ficaram contrariados ao terem que engolir alianças para as disputas para prefeito em detrimento de candidaturas próprias de seus partidos.
O presidente estadual do PMDB, Dobrandino da Silva, reconhece que as eleições municipais deste ano foram um fator importante na decisão dos governadores de se afastarem do governo federal. ''O PMDB precisa ter um projeto próprio e tem que ter independência. Não podemos assumir os erros do governo federal e não podemos ter deputados do PMDB sendo forçados a apoiar candidatos do PT em detrimento de nossos próprios nomes'', comentou Dobrandino, que também participou do encontro em São Paulo.
Além do rompimento político com o PT nacional, os governadores também trataram de assuntos de interesse dos Estados. Antes de irem a São Paulo, Requião e o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigoto, se encontraram na residência de Requião para discutir a política de distribuição dos recursos do governo federal. Os dois criticaram o modelo atual, no qual o governo aumentou sua arrecadação em detrimento dos municípios e dos Estados.


