Requião fica fora da TV hoje à noite
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Patrícia Zanin 
O último programa de TV do horário gratuito dos candidatos ao governo do Estado hoje, às 20h30, vai ao ar sem a participação do senador Roberto Requião (PMDB), por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O TRE decidiu ontem suspender o programa da noite do peemedebista, mantendo apenas o de hoje à tarde, às 13 horas. O pedido para Requião ficar fora da telinha partiu da coligação do governador Jaime Lerner (PFL), que considerou ofensiva a propaganda intitulada O mau pagador de promessas. Esse mesmo programa já tinha sido suspenso na semana passada pelo TRE, gerando críticas do senador em relação à Justiça Eleitoral. Os seis advogados que trabalham na campanha de Requião estavam reunidos ontem à noite para definir o instrumento jurídico a ser usado para recorrer da decisão.
A assessoria de imprensa de Requião informou que os advogados pretendem ingressar hoje de manhã no TRE com um recurso pedindo que o Tribunal reveja a sentença. A equipe jurídica também poderá optar por uma medida cautelar.
O TRE também decidiu ontem rever a decisão sobre um programa de rádio de Requião cuja veiculação foi proibida no dia 21. Nesta data, o programa do peemedebista ficou fora do ar porque os advogados de Lerner conseguiram suspendê-lo, alegando prejuízo à imagem do governador. O programa trazia dois personagens - Zé Pedágio e Precatório. Na sessão de ontem, o Tribunal entendeu que se tratava de uma brincadeira e devolveu o tempo perdido pelo senador. O programa será veiculado no dia 2 de outubro, nos horários da manhã e da tarde no rádio (7 horas e às 12 horas).
Apesar de a exibição ser feita um dia após o término do horário eleitoral gratuito - para governador, deputado estadual e senador o último dia é hoje, mas para presidente e deputado federal os últimos programas serão amanhã - o TRE esclarece que se trata de garantir um direito do candidato.
O horário gratuito que está terminando trouxe durante 45 dias as propostas dos candidatos Lerner, Requião, Jamil Nakad (Prona) e Júlio de Jesus (PSTU). Requião usou os programas principalmente para criticar Lerner em relação aos gastos com publicidade (R$ 334 milhões em 3 anos e meio), o processo de privatização do Banestado, que vai custar R$ 4,1 bilhões, a falta de pagamento de R$ 5,6 milhões para as viúvas do Instituto de Previdência do Estado (IPE), que têm precatórios (créditos garantidos por decisão judicial) a receber desde 1995, além dos gastos de campanha da coligação. O PMDB também fez programas irônicos sobre a falta de cumprimento de propostas feitas por Lerner em 1994.
Em um de seus programas, Lerner revidou mostrando promessas de campanha feitas por Requião em 1990 e não cumpridas. Mas o governador procurou não rebater a maioria das críticas, recorrendo à Justiça para tentar suspender os programas do adversário ou obter direito de resposta. Lerner adotou uma linha mais light no horário gratuito, com apresentação de suas metas, caso realize seu segundo mandato. O âncora dos programas foi o cantor e apresentador Rolando Boldrim, que, além de Lerner, entrevistou a vice Emília Belinati (PTB) e secretários de Estado.


