Requião fecha o cofre por 90 dias
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sábado, 04 de janeiro de 2003
Denise Angelo Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) anuncia na segunda-feira a suspensão por até 90 dias de todos os pagamentos do governo do Estado. A informação foi divulgada pela assessoria de Requião, no final da tarde de ontem. A justificativa é de que a atual equipe quer fazer uma conferência de todas as despesas.
Segundo a assessoria do Palácio Iguaçu, ''trata-se de um procedimento normal, comum às novas administrações, para que se tenha um levantamento minucioso dos gastos feitos pela gestão anterior''.
De acordo com o secretário da Fazenda, Heron Arzua, a medida não é necessariamente uma novidade. ''O Requião já tinha feito isso no seu primeiro mandato de governador'', lembrou. O secretário explicou ainda que a atual administração não sabe qual é o valor que deixará de ser pago. ''Vamos parar os pagamentos exatamente por isso'', enfatizou.
Arzua informou ainda que alguns pagamentos continuarão sendo feitos. É o caso da dívida do Estado com a União, com o Banco Mundial (Bird) e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). ''Há parcelas dessas dívidas vencidas, que o governo anterior não pagou'', contou o secretário. Segundo ele, as parcelas atrasadas somam R$ 87 milhões. Também continuarão sendo pagos alguns fornecedores, como o de combustíveis, para que a Polícia Militar possa continuar a desenvolver a Operação Verão.
''O que serão suspensos são os pagamentos de contratos, como para realização de obras, convênios com municípios e tudo aquilo que não estiver dentro do programa de governo do Requião'', informou. Esses convênios poderão inclusive ser suspensos, de acordo com Arzua. ''Hoje tem muita coisa terceirizada, e o Requião é contra essa política. Ele defende que ou o governo faz, ou não tem'', acrescentou. ''Claro que não vamos deixar o serviço público parar, mas muita coisa pode ser revista.''
Nessa lista estão, por exemplo, a locação de veículos e celulares. ''Qualquer pessoa que pegar o contrato de locação de veículo verá que com o valor que foi pago daria para comprar os carros'', argumentou o secretário.
Os aliados do ex-governador Jaime Lerner (PFL) encararam a iniciativa de Requião como uma medida de cautela, mas alertaram para possíveis prejuízos ao Estado. Para o ex-secretário de Governo José Cid Campêlo Filho, os contratos firmados pelo governo com seus fornecedores dão margem a contestações. ''Eles podem tentar garantir o pagamento na Justiça, talvez através de ações populares'', avaliou Campêlo.


