Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) apresentou ontem um balanço dos seus dois primeiros anos de governo durante a sessão solene de abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa. Ao contrário das outras oportunidades em que endereçou-se à Assembléia, Requião foi mais moderado nas críticas ao governo de seu antecessor, Jaime Lerner (PSB), e preferiu destacar os pontos positivos de seu governo.
Em tom otimista, Requião destacou como principal ponto de sua administração a criação de empregos, que segundo ele se deve principalmente à política fiscal do Estado. ''Enquanto no país reclamam do aumento da carga tributária, caminhamos na contramão dessa tendência, cortando impostos; 77% das empresas paranaenses estão sob o regime especial de isenção ou redução progressiva do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS). Trocamos impostos por empregos.''
O governador também destacou a implantação de programas que foram carros-chefe de sua campanha, como o Luz Fraterna e o Leite das Crianças. O tom de Requião ao destacar o sucesso de iniciativas nas áreas de saúde, segurança e educação surpreendeu alguns deputados. ''Acho que o governador está muito otimista. Não estou vendo esses avanços todos que ele cita. Na segurança, por exemplo, a situação ainda está muito ruim'', afirmou o deputado André Vargas (PT). Apesar de não fazer oficialmente parte da oposição a Requião, Vargas teve vários atritos com o Palácio Iguaçu no ano passado.
Mas mesmo os deputados que tiveram atritos com Requião foram elogiados no discurso do governador. ''Várias das iniciativas de sucesso desses dois anos partiram da Assembléia, como a campanha do desarmamento e o Código de Defesa do Contribuinte. E embora muitos deputados tenham divergências pessoais comigo, eles sempre lutaram pelo interesse do Estado. A oposição em várias oportunidades apresentou crises procedentes e que serviram para orientar correções de rumos, cabendo destacar aqui a atuação do deputado Durval Amaral (PFL)''. Amaral, que não esteve presente à sessão de ontem, foi líder da oposição nos últimos dois anos e deve ser substituído por Valdir Rossoni (PSDB) a partir da semana que vem.

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