Requião faz críticas ao MP
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 2004
Maria Duarte e Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) criticou ontem a postura do Ministério Público Federal (MPF) que deu parecer favorável à sua condenação e também do presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Paulo Pimentel, por abuso eleitoral e uso de veículos de comunicação durante a campanha em 2002.
''Vi nos jornais que estou sendo processado por abuso do porder econômico, porque dei uma entrevista na tevê do Pimentel (TV Iguaçu). Eu que passei dez anos sem dar uma entrevista para as televisões do Paraná'', reclamou Requião, lembrando da época em que era senador. As declarações foram feitas na tarde de ontem, durante a solenidade no Palácio Iguaçu para assinatura de convênios com os prefeitos.
A denúncia contra o governador e Pimentel foi movida pelo então candidato do nanico PTC ao Senado em 2002, Rogério Miranda de Mello. Segundo Mello, Requião e Pimentel receberam tratamento privilegiado nas emissoras de televisão do grupo Paulo Pimentel no período que antecedeu o início da campanha eleitoral. Requião classificou a atitude do PTC de ''risível''.
A ação tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), última instância da Justiça Eleitoral no Brasil. Caso condenados, Requião e Pimentel podem perder os direitos políticos por três anos.
A defesa de Requião no TSE será feita pelo advogado Alcides Munhoz da Cunha, o mesmo que defendeu o então candidato ao governo perante o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em 2002. Munhoz da Cunha não pretende mudar a argumentação que fez com que os juízes do TRE rejeitassem as acusações contra Requião. ''Já apresentei a defesa preliminar ao TSE. Os fatos são claros e mostram que não houve abuso de poder econômico com as inserções que apresentavam o nome do governador ou do presidente da Copel. Eram programas de pouca audiência, que não influenciaram o resultado da campanha de forma significante'', argumentou Munhoz da Cunha.
O processo será julgado no pleno do TSE em data ainda a ser marcada. Caso sejam condenados, Requião e Pimentel podem perder seus direitos políticos por até três anos. A contagem, porém, é feita a partir da data da eleição em que ocorreu o suposto abuso. O primeiro turno das eleições de 2002 ocorreu no dia 5 de outubro.


