O candidato da coligação PMDB-PT-PDT, senador Roberto Requião (PMDB), pretende vencer as eleições de outubro na base da saliva. Com poucos recursos, nenhum financiador de campanha até agora, mas com a língua afiada, o senador não esconde que já está sentindo na pele as dificuldades para enfrentar a estrutura logística montada pelo seu principal adversário na briga pelo Palácio Iguaçu, o governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘Não tenho dinheiro nem para santinho’’, confessa o senador.
Ele retoma na semana que vem suas viagens ao interior do Estado. De férias no Senado desde o início de julho, Requião percorre a maior parte das cidades com uma caminhonete F-1000. ‘‘Tenho algumas passagens do Senado e quando precisar viajar de avião vou com um de carreira’’, explica. No decorrer da campanha, o senador diz que poderá recorrer a ‘‘alguns poucos amigos’’, que poderiam colocar um jatinho à sua disposição. ‘‘Se eu analisar que é necessário, vou pedir emprestado’’, avisa.
Famoso por ser mão fechada, o candidato do PMDB diz que nas viagens dificilmente paga refeições e hospedagem nos hotéis. ‘‘Quase ninguém me cobra’’, comenta o senador. Ele afirma que o limite de gastos, de até R$ 3 milhões, fixado pela coligação PMDB-PT-PDT junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ‘‘dificilmente’’ será ultrapassado. ‘‘É uma ficção para garantir que não descumpriremos o que manda a legislação eleitoral, durante a prestação de contas’’, justifica.
A equipe de assessores do senador também é modesta. Dois jornalistas foram contratados até agora. ‘‘O pior é que não sou cinegrafista e nem sei mexer com a câmera’’, brinca. Além de advogado, Requião formou-se em Jornalismo pela UFPR. Requião pretende fixar-se nos programas eleitorais gratuitos da Justiça Eleitoral para arrancar votos. ‘‘Fiz assim quando concorri ao Senado, em 1994. Quero colocar a minha cara na tevê e conversar. Não pretendo comprar o mandato’’, discursa.
Requião jura que o seu patrimônio não ultrapassa R$ 400 mil, mas até agora não divulgou a lista de bens que encaminhou ao TRE, junto com o registro de sua candidatura. ‘‘Tenho uma casa e um apartamento hipotecado, graças à sentença de um juiz’’, assegura o candidato do PMDB, numa referência à ação que o condenou em primeira instância a indenizar o juiz do Tribunal de Alçada, Sérgio Arenhart, por crime de calúnia contra o magistrado que atuou no TRE do Paraná, na eleição de 1990.
A língua ferina de Requião promete ser um obstáculo para os tesoureiros da coligação que, a partir de agora, estão liberados para buscarem recursos de campanha. O ex-presidente do PMDB Milton Buabssi está acompanhando o processo de arrecadação e entende que a posição crítica de Requião é bem encarada pela classe empresarial. ‘‘As empreiteiras, por exemplo, sabem que os melhores governos foram os do PMDB. Os repasses financeiros eram baixos, mas sempre feitos em dia, sem atraso’’, considera. Buabssi não soube informar o quanto já foi arrecadado, mas acredita que em 30 dias as contribuições tendem a engrossar.

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