Requião faz campanha pró-comissão
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sábado, 31 de março de 2001
Lino Ramos De Londrina 
Apesar das reações do Palácio do Planalto e dos tucanos, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) aposta na abertura da CPI da Corrupção no Senado. Numa referência direta aos irmãos Osmar e Álvaro Dias (PSDB-PR), contrários à abertura da Comissão, Requião afirma que a CPI seria aberta se o Paraná fechasse questão sobre o assunto.
Estou pedindo aos amigos do Paraná, espero que eles abram os olhos. Como podem reclamar da corrupção no Paraná se ficarem contra a CPI. A apuração tem que ser feita. Na avaliação do pemedebista, está havendo um crescimento da pressão popular pedindo a instalação da CPI, como a adesão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que lançou um manifesto contra a corrupção.
Mas, por enquanto, os irmãos Dias mantêm questão fechada e alegam que não são contra uma CPI para investigar a corrupção, desde que seja em relação a um fato determinado. Na opinião de Álvaro Dias, é lamentável que o Congresso enfrente um desgaste político protagonizado pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA). Nós estamos sujeitos a uma disputa pessoal de duas lideranças. O que move esse debate é o ódio, o ressentimento, que está sendo iluminado por uma grande fogueira de vaidades, analisou.
Na opinião de Álvaro Dias, todos os itens constantes do pedido feito pela oposição se referem a fatos já investigados pela Polícia Federal, Ministério Público e pelo Executivo. Apresentam agora um requerimento com 16 itens, seriam 16 CPIs numa só. Eu sou a favor da CPI que investigue a corrupção, não sou a favor de uma colcha de retalhos, de uma farsa, de uma enganação que não vai investigar coisa alguma, atacou.
Já o senador Osmar Dias avaliou que mesmo o PFL e o PMDB não estão aderindo à CPI. Ele fez coro com seu irmão e defendeu a instalação de uma CPI, desde que seja para investigar um fato específico. Segundo ele, a proposta apresentada tem muitas denúncias misturadas e a maior parte já é objeto de investigação. Para Osmar Dias, a proposta em discussão tem um objetivo claro de tumultuar o quadro político, além de causar prejuízo ao país. Faz três meses que não se vota nada e não se decide nada no Senado. Segundo Osmar Dias, as denúncias levantadas por esta CPI não seriam válidas porque a Comissão seria considerada insconstitucional.
Mas Roberto Requião rebateu as afimações de que a CPI não tem um objetivo específico e seria apenas mais uma jogada política. Ela é específica e tem seu objeto definido, reagiu. Ele disse ainda que há necessidade de se quebrar o sigilo das contas do ex secretário-geral da presidência, Eduardo Jorge, conhecido como EJ, além de investigar denúncias que envolvem o senador Antonio Carlos Magalhães.Fica muito feio dizer que a CPI não tem objetivos. Deixem o Supremo Tribunal Federal (STF) dizer se ela é ou não constitucional, comentou. (Colaborou Cristina Côrtes)


