Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) utilizou ontem por duas horas a TV Educativa para fazer um balanço do seu governo. Requião foi entrevistado por duas repórteres da emissora estatal, e deu sua opinião sobre os assuntos mais polêmicos de seu mandato, como o pedágio, a polêmica com o Ministério da Agricultura em relação à febre aftosa e a gestão do Porto de Paranaguá.
Requião começou sua entrevista defendendo a Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (APPA), gerida pelo seu irmão Eduardo Requião. O governador destacou a recuperação econômica do porto, que segundo ele estava quebrado após o governo Jaime Lerner (PSB). ''O presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Jaime Lerner (PSB) assinaram um convênio para privatizar o porto em seis meses. Não foi privatizado no período do Lerner e não vai ser no meu. Somos o segundo maior porto do país, e não podemos ficar submissos a interesses externos. Recuperamos o porto, e temos agora R$ 200 milhões em caixa. Se não fossem as obstruções do Ministério de Transportes e desses picaretas do mercado que querem privatizar o porto, teríamos dinheiro em caixa inclusive para construir o cais oeste pagando à vista'', afirmou Requião.
As críticas de Requião não se limitaram ao Ministério dos Transportes. O governador também atacou duramente o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que declarou que o Paraná teria febre aftosa em seu rebanho. ''Depois de dezenas de exames, está comprovado que não temos aftosa. Mas como no início do incidente o ministro afirmou que havia 90% de chance do rebanho paranaense estar contaminado, determinaram o sacrifício do gado para dar credibilidade ao ministro. Ele foi irresponsável e leviano. Agora temos que enfrentar essa situação, em que ou sacrificamos o gado para liberar nossas exportações em seis meses, ou teremos que esperar muito mais. O ministro foi de uma irresponsalidade absoluta'', criticou Requião.
Fiel ao seu tom nacionalista, Requião disparou também contra os grandes empresários, que seriam os maiores interessados na privatização da Copel e que obtiveram as concessões das rodovias pedagiadas no Estado. ''Esse setor só não conseguiu privatizar a Copel devido à baixa nas bolsas devido aos ataques terroristas do 11 de setembro. Celebraram convênios com a Copel que iriam quebrar a empresa. Nós salvamos a Copel da privatização e recuperamos financeiramente a estatal. Fomos inclusive homenageados na Bolsa de Nova York, que congrega 16 mil acionistas da Copel. Ou seja, lá nós somos o Capitão América. Aqui só levamos pau do Estadão, da Veja e da grande mídia pelas nossas posturas'' afirmou. ''Eu quero que se lixe o mercado. Não fui eleito pelos bancos, fui eleito pelo povo paranaense'', concluiu Requião.
A maior parte das críticas, porém, resultou da dificuldade do governo estadual em reduzir as tarifas de pedágio pela via judicial. Sobrou não apenas para as empresas, como também para o Judiciário e para os senadores paranaenses Flávio Arns (PT), Alvaro Dias (PSDB) e Osmar Dias (PDT), possíveis adversários de Requião nas eleições para o governo em 2006. ''As empresas arrecadaram R$ 640 milhões no ano passado e investiram apenas R$ 140 milhões. Cadê nossos senadores que não se insurgem contra essa situação? Essa luta não é pessoal minha, é de todo o povo do Paraná'', comentou Requião.
O governador destacou as medidas que o governo tem tomado para tentar cumprir sua promessa eleitoral de reduzir as tarifas do pedágio. ''Entramos com mais de 40 ações contra os aumentos abusivos. Mas as concessionárias estão amparadas pelos contratos firmados no governo passado, que garantiu por 30 anos essa pepineira para o Estado. E o Judiciário em Brasília baseia-se no ''pacta sunt servanda'', termo em latim que diz que os contratos devem ser cumpridos. Ora, eu aprendi na faculdade de Direito que não há direito adquirido contra o interesse público. Vai chegar a hora que a população vai se levantar contra o pedágio, como fez na Bolívia contra a privatização da água'', aposta Requião.
A entrevista foi marcada pelo tom oficialesco, sem críticas ao governador. Antes do programa e durante os intervalos, foram exibidos as realizações de diversas secretarias e órgãos do governo do Estado, como a Copel e as secretarias de Educação, Meio Ambiente, Habitação, Segurança.

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