Requião fala em má-fé sobre 'caso Rasera'
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador licenciado Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição, chamou a imprensa ontem, no final da tarde, para comentar sobre sua queda na última pesquisa de votos realizada pelo Datafolha. O peemedebista disse que o ''caso Rasera'' pode ter influenciado, mas acredita que ganhará no primeiro turno ''com facilidade''. Sobre o ''caso Rasera'', Requião disse que existe má-fé por parte de uma parcela da imprensa que estaria tentando ligá-lo ao suposto ''comandante'' do grupo que fazia interceptações clandestinas ilegais, o policial civil Délcio Rasera, cedido ao Executivo desde 2003 e preso pela Promotoria de Investigações Criminais desde o dia 5. ''De repente eu me transformo no dono do Rasera, quando na verdade o governo é vítima'', disse Requião.
''O Rasera trabalhava no Banestado na gestão do Jaime Lerner (ex-governador do Paraná). Os grampos que ele teria feito são antigos. Era o 'araponga' do Banestado especializado em crises conjugais'', disse Requião, que novamente negou saber que o policial civil trabalhava no Palácio Iguaçu. ''Nunca tomei conhecimento do Rasera lá. Rasera não é meu assessor em hipótese alguma. Isso é uma loucura. Em três anos, quatro anos de governo, ele nunca entrou no meu gabinete.'' Quanto ao fato de Rasera exibir num cartão de apresentação o cargo de ''assessor do governador'', Requião disse que se trata de ''malandragem''. ''É alguém tentando tirar proveito, vantagens.''
Sobre o fato de Rasera ter tido processos na Polícia Civil contra ele arquivados a pedido do próprio governador, Requião disse que não ''absolveu'' ninguém. ''Chega na minha mão um processo prescrito e um terceiro processo dizendo que o Rasera abandonou o trabalho na Polícia Civil. Só que ele trabalhava na Casa Civil'', justificou.
Além de reclamar da imprensa, Requião também disse desconfiar das informações passadas por alguém da PIC, órgão ligado ao Ministério Público e responsável pela desarticulação da suposta quadrilha de grampos telefônicos. ''A PIC vai ficar em maus lençóis por causa disso. Não existem evidências de nada. Isso é estelionato eleitoral'', acusou. ''Mas isso será esclarecido. Tenho quatro anos para fazer isso. E descobrir se as inverdades saíram da PIC ou da imprensa'', disse Requião, apostando na reeleição.
Requião disse que também não acredita que seus secretários foram alvos de escutas, ao contrário do que foi divulgado recentemente com base num material entregue de forma anônima a jornalistas. No material (em CD e DVD) constavam gravações telefônicas de secretários do Estado. ''O único que foi grampeado parece que foi o Romanelli (ex-diretor da Companhia de Habitação do Paraná). Os secretários eu acho que aparecem nas gravações porque estavam conversando com o Romanelli'', disse. O material foi entregue à PIC. ''Se eu fosse grampear alguém, eu grampearia quem? Grampearia quem estivesse me ameaçando'', argumentou. ''Mas eu acho que todos que lidam com dinheiro público deveriam ser ouvidos. Meu telefone pode ser grampeado dia e noite'', afirmou.


