Requião fala de economia mundial e política internacional em Londrina
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terça-feira, 01 de dezembro de 2009
Emerson Dias<br>Especial para a FOLHA 
O governador Roberto Requião (PMDB) estava com dados financeiros nacionais e internacionais na ponta da língua ontem, durante a palestra que fez no Seminário Internacional Londrina 75 Anos, deixando bem claro as intenções de fortalecer o nome dele que será lançado como pré-candidato à Presidência da República por dissidentes do partido hoje, em Brasília. Em meio à comentários sobre crise econômica mundial, questões ambientais e a inviabilidade de países como a China, Requião criticou o comportamento do governo Lula, apoiou o fortalecimento dos bancos estatais e ainda tratou do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU), criado por ele mesmo em outra gestão, como um exemplo de controle e financiamento a longo prazo que um Estado deve ter.
Segundo o governador, recursos que totalizaram R$ 36,5 milhões, divulgados ontem e destinados à obras importantes em Londrina (veja box), saíram do FDU. ''Eu criei fundo de desenvolvimento urbano no primeiro governo. Isso fez com que o Paraná tivesse condições de financiar o desenvolvimento dos municípios e é desse fundo que Londrina, hoje, se utiliza.''
Durante a entrevista coletiva, ele falou também sobre ainda falou de segurança, quando questionado sobre a fuga de presos ocorrida anteontem em Cambé. ''A Polícia Civil não tem falta de efetivo. Aliás, estamos contratando mais 500 homens porque, de quando em quando, você tem que repor.''
Mas o arsenal do governador estava voltado mesmo para a economia nacional e internacional. Teceu longos comentários sobre o declínio do modelo econômico atual, criticando o comportamento do Brasil, mesmo diante da boa imagem que o país impõe ao mercado internacional. ''Estamos sendo dirigidos pelos interesses dos banqueiros através de um Banco Central dirigido pela 'banca' (carteador de cassino). É esse o problema básico'', disparou o governador, reforçando que houve prejuízo para o país. ''O Governo Federal sacrificou Estados e municípios em função de um tipo de modelo econômico.''
Também falou sobre a desvalorização do dólar frente ao Real e dos supostos prejuízos que a indústria nacional estaria sofrendo. ''O dólar depreciado faz a alegria de alguns políticos na véspera de eleição, mas ele está acabando com a economia nacional. Acaba com investimentos e faz com que as indústrias automobilísticas começam a comprar peças fora do Brasil'', apontou Requião, citando até o presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso. ''Fernando Henrique já havia provocado a demissão de 250 mil trabalhadores na indústria de autopeças e isso está se repetindo agora.''
Depois de tratar dos assuntos domésticos e de apontar supostos erros no gerenciamento da economia do Brasil, Requião palestrou para os participantes, desta vez usando números internacionais, resgatando teóricos da Economia (como o escocês Adam Smith, pai do liberalismo) e apontando pontos negativos da maior potência emergente do planeta. ''A China me encanta pela história e pela tradição, mas é inviável. Tem chuva ácida, cinco do sete grandes rios estão totalmente poluídos e ainda possui 500 dialetos'', proferiu.
Depois falou de modelo de gerenciamento das contas públicas e também de projetos que unem meio ambiente com qualidade de vida dos paranaenses. ''Não sei se vocês sabem, mas sou o único governador 'verde' do Brasil'', brincou com o público.
O governador ainda reforçou seu posicionamento em relação à valorização dos bancos públicos, iniciativa que o homem que atualmente ocupa a cobiçada cadeira presidencial, tomou durante a crise econômica no fim do ano passado. ''Os bancos estatais deram ao presidente Lula uma vantagem que o (presidente dos EUA) Obama não tem. Quando os bancos (privados) se recusaram a jogar dinheiro na economia, os bancos públicos fizeram isso a juros baixos.''


