O senador Roberto Requião (PMDB-PR) decidiu antecipar-se ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e encaminhou anteontem, em Curitiba, um disquete contendo a cópia do relatório final da CPI dos Precatórios à Procuradoria Geral da República no Paraná. O senador não quer correr o risco de que as investigações acabem em ‘‘pizza’’. Ele aposta no empenho do Ministério Público Federal para instaurar ação civil pública contra os governadores, prefeitos e secretários da Fazenda envolvidos no esquema fraudulento de emissão de títulos públicos.
‘‘Temos hoje no Senado uma situação de silêncio em torno do parecer da CPI. Articula-se, sob o pretexto de que o mercado financeiro não pode ser abalado e de que os Estados agiram de boa-fé, uma autorização para que os títulos - objeto de roubo e de lavagem - sejam negociados e federalizados’’, denunciou. Requião diz que o presidente Fernando Henrique está preocupado com a continuidade das investigações, que, segundo o senador, ‘‘põem em risco o Plano Real’’ - a principal bandeira da reeleição. ‘‘O Senado da República tem sido ‘teúdo e manteúdo’ pelo governo federal’’, ironizou o senador, que participou na sexta-feira da 1ª Jornada de Estudos Jurídicos da Justiça Federal, no auditório da PUC-PR.
Requião afirmou que o próprio governo federal facilitou o esquema de lavagem dos títulos públicos, que teve seus tentáculos no Paraná. ‘‘Cerca de US$ 38 bilhões foram movimentados no Brasil através de contas CC5 (que podem ser abertas por estrangeiros em qualquer banco nacional) e do anexo 4 (uma operação bancária que permite que dinheiro do Brasil escoe via Paraguai para o exterior), lembrou.

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