Requião entra com recurso no TRF
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou ontem no início da noite que o governador Roberto Requião (PMDB) encaminhou ao Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF) recurso contra a decisão do desembargador federal Edgard Antônio Lippmann Júnior, do TRF. No último dia 8, o desembargador, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), proibiu o peemedebista, sob pena de multa, de usar a Rádio e TV Educativa do Paraná para fazer promoção pessoal, ofender à imprensa, adversários políticos e instituições. Ontem, Requião voltou a criticar a decisão do desembargador e também divulgou uma nota contra a posição do presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Walter Nunes da Silva Júnior, que anteontem saiu em defesa de Lippmann Júnior.
Em nota, Requião afirma que está decepcionado com o presidente da Ajufe e o convida a comparecer na ''escolinha'' da próxima terça-feira para ''um debate sobre a censura no Brasil''. ''Esperava uma forte e clara manifestação contra a volta da censura ao país. E o que vi foram descabidas considerações a meu respeito. Esperava a defesa do direito e da verdade. E não o vezo corporativo que vejo na nota'', criticou o governador.
O peemedebista também reclamou do fato de Lippmann Júnior ter concedido entrevistas à imprensa sobre sua decisão antes dele ter sido notificado, o que só ocorreu anteontem. A assessoria de imprensa do TRF informou à reportagem que o desembargador só deu entrevistas para explicar o teor da sua decisão e que, na sequência, se recusou a falar com os jornalistas.
Requião também comentou sobre o espaço que a nota do presidente da Ajufe teria ganho na mídia. ''A nossa resposta está limitada ao espaço na Paraná Educativa, enquanto sua nota teve a mais ampla divulgação pela dita grande imprensa do país. A diferença é clara e chocante, senhor juiz'', diz trecho.
O presidente da Ajufe, em nota divulgada anteontem, afirmou que o desembargador foi ''injusta e jocosamente agravado'' por Requião. Ele diz também que Requião ''debocha e desrespeita acintosamente'' as decisões judiciais. Ele ressaltou ainda que os atos judiciais são institucionais, e não pessoais, em referência ao ataque direto ao desembargador.
Ontem, ao fazer uma visita ao Arquivo Público, em Curitiba, Requião novamente voltou a atacar o Lippmann Júnior. A idéia, segundo ele, era rever o acervo que fazia parte da antiga Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), um dos instrumentos de repressão do regime militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1984. ''Naquela época, faziam fichas e prendiam a gente. Agora, querem calar a boca'', afirmou ele, em referência à decisão do desembargador. Em outro momento, quando exibia uma foto sua encontrada nos arquivos do Dops, declarou: ''Estou acostumado a esse tipo de repressão''.


