Aquivo FolhaRequião: pedido coincide com denúncias de fraude no INSSO senador Roberto Requião (PMDB) está pleiteando uma aposentadoria de R$ 1,2 mil junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), com sede em Curitiba. A secretária do senador, a advogada Célia Baroni, entrou com o pedido em outubro de 1997, mas somente agora o processo está em fase de análise e contagem de tempo de serviço.
A mulher do senador, a jornalista Maristela Requião, já teve processo semelhante aprovado pelo INSS. Os pedidos de aposentadoria de Requião e de sua mulher tornaram-se públicos com a denúncia feita pelo PMDB, anteontem, de que funcionários do setor de cálculos e procuradores aposentados do INSS estariam envolvidos numa rede de fraude e extorsão.
Célia Baroni, que ajuizou os pedidos, foi abordada por um dos funcionários envolvidos no suposto crime. Requião recolhe como autônomo há 36 anos, pelos cálculos de sua assessora. ‘‘Em 1972, ele (Requião) e a Maristela começaram a recolher as guias juntos. Eles trabalhavam na Loja Nacional em Curitiba, de propriedade do pai do senador’’, contou Baroni.
O tempo de serviço como prefeito, deputado, governador e senador não contou no pedido feito ao sistema oficial de previdência. Requião e o senador Álvaro Dias (PSDB) são os únicos ex-governadores que não requisitaram aposentadoria como governadores, abrindo mão de um salário mensal de cerca de R$ 12 mil, pago através do Tribunal de Justiça.
Nos últimos meses, antes de autorizar sua assessoria a ingressar com o pedido de aposentadoria, o senador Requião recolheu sobre 10 salários mínimos. O que lhe garante o teto de R$ 1,2 mil. A advogada de Requião reclamou ontem da falta de um controle mais eficiente do INSS sobre a relação de contribuintes e os meses de contribuição quitados.
‘‘Estávamos com dificuldades para comprovar o recolhimento de 44 meses do senador. Entramos com um pedido no INSS e conseguimos confrontar dados, deixando em aberto apenas 16 meses’’, contou Baroni. Ela disse que o sistema só se tornou 100% confiável depois de 93, quando o INSS instalou um programa com a relação de todos os pagamentos feitos.
A Folha tentou contato com o senador ontem em sua residência em Brasília, mas não foi possível. O senador passou o dia em São Paulo, onde, à tarde, participou da aula inaugural do curso de direito da Universidade de São Paulo (USP). O celular do senador ficou desligado durante a viagem. (Leandro Donatti)

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