Requião encaminha ao ''Papai Noel'' pedido de licitação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O estilo polêmico do governador Roberto Requião (PMDB) não poupa nem mesmo as pessoas indicadas por ele para ocupar as secretarias de Estado. O vereador Fábio Camargo (PFL) divulgou ontem um ofício assinado por Requião, na qual ele rejeita um pedido de compra de equipamentos para a Secretaria de Estado da Segurança. No despacho, Requião escreveu: ''Encaminhe-se ao Papai Noel''.
No ofício, o secretário da pasta, Luiz Fernando Delazari, pedia a abertura de uma licitação para ''suprir as necessidades da Coordenação de Informações''. O documento não fala em valores. ''Era um pedido para comprar veículos, computadores e outros materiais para a infra-estrutura da secretaria. O secretário (de Segurança) também pretendia alterar a estrutura da pasta e realizar concurso para a admissão de servidores para a Coordenação de Informações'', afirmou Camargo.
O despacho natalino de Requião foi assinado no dia 12 de novembro do ano passado. Pouco menos de dois meses após a recusa do governador, o sistema de informações da Polícia Civil foi duramente criticado na imprensa. O motivo foi a falta de dados relativos a Adriano da Silva, que confessou em janeiro deste ano o assassinato de oito crianças no Rio Grande do Sul. Antes ele havia sido preso e liberado, após uma consulta ao seu nome no sistema integrado das polícias civis não apontar que ele havia fugido de uma penitenciária no Paraná.
Delazari não quis se pronunciar sobre o assunto. ''Eu não tenho tempo nem cabeça para falar sobre isso. É uma coisa tão pequena que nem vale a pena falar sobre isso'', disse ontem em entrevista à Folha. A assessoria do Palácio Iguaçu também informou que o governador não iria se pronunciar sobre o assunto.
Talvez influenciado pelo espírito festivo de Requião, o próprio Delazari decidiu usar um pseudônimo durante uma reunião com prefeitos da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná em março deste ano. No livro de presenças do encontro, Delazari subscreveu-se como ''Roberto Carlos, cantor''. Na época, Delazari classificou o episódio como ''uma brincadeira para descontrair''.
Fábio Camargo criticou a atitude de Requião e de Delazari. ''Na verdade isso mostra como a segurança pública é levada na brincadeira por essa dupla. É um caso claro de descontrole interno do governo, e mostra como o secretário não é bem quisto na pasta, uma vez que esse ofício foi entregue para mim por gente da própria secretaria. Enquanto um brinca de cantor e outro de Papai Noel, os índices de criminalidade aumentam'', disparou.


