Curitiba - Nem sim, nem não. Em outras palavras, essa foi a resposta do governador Roberto Requião (PDMB) ontem quando indagado se dividiria o palanque com o candidato à presidência Geraldo Alckmim (PSDB) em caso de uma aliança entre os dois partidos no Paraná. ''Quero conhecer primeiro o plano de governo de cada candidato. Trabalho de forma programática e ideológica'', afirmou. Requião participou ontem, ao lado do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), da assinatura de um convênio para a construção de um hospital gerontológico na Capital. O presidente do PSDB-PR, deputado Valdir Rossoni, tem se posicionado contra a aliança, mas já afirmou que caso aconteça vai exigir apoio a Alckmim.
O governador garantiu que não está participando das negociações entre os dois partidos. E, segundo Requião, o PMDB está conversando com todos os partidos, exceto o PT. ''Só não estamos conversando com o PT porque seria um desrespeito, já que eles têm o candidato que não me lembro o nome'', ironizou, referindo-se ao senador Flávio Arns (PT). Segunda-feira à noite, o governador se reuniu com o pré-candidato do PSDB ao governo do Estado, senador Osmar Dias (PDT). A conversa, assegurou Requião, teria sido informal. ''Estou sempre com o Osmar. Ele é meu amigo e meu vizinho. Discutimos de tudo.''
Em seu discurso após a assinatura do convênio com a prefeitura de Curitiba, Requião elogiou Richa e fez duras críticas ao senador Álvaro Dias (PSDB), candidato a reeleição. ''O Brasil seria muito melhor se os governantes tivessem a consciência social e a responsabilidade que o prefeito Beto Richa tem no seu relacionamento com o governo do Estado. E eu sei bem disso por ter convivido, quando era prefeito, com um governador que tem ciúme do prefeito, medo do crescimento político do prefeito e que fazia restrições administrativas absurdas e mesquinhas.'' Quando Requião foi prefeito de Curitiba, Álvaro Dias era o governador do Estado.
Richa garantiu que os elogios de Requião nada têm a ver com uma possível coligação dos dois partidos. Segundo ele, o governador sempre o elogiou e um bom relacionamento facilita para os governantes. ''Nós temos um compromisso com o PDT. Vamos aguardar a decisão nacional do PDT sobre a candidatura própria para depois nos posicionarmos'', afirmou, repetindo o discurso de Rossoni. Richa ainda ressaltou, como diz também Rossoni, que a segunda opção, caso não seja possível lançar Osmar Dias, seria a candidatura própria com o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) como cabeça da chapa.
A aliança que está sendo discutida entre o PSDB e PMDB no Paraná daria o cargo de vice-governador aos tucanos, mais especificamente ao deputado Hermas Brandão (PSDB), e também a vaga ao Senado, que seria de Álvaro Dias. Os deputados peemedebistas estão otimistas com relação à aliança e defendem que Requião deveria dividir o palanque com Alckmim. No entanto, o que se ouve nos bastidores do Palácio Iguaçu é que o PSDB não está verdadeiramente interessado em palanque para Alckmim no Paraná, mas sim vislumbrando as vantagens que esta coligação pode proporcionar nas eleições para governador em 2010, quando os tucanos poderiam alavancar uma candidatura mais forte.

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