Requião elogia secretário que ajudou MST
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Na primeira reunião do secretariado do governo Roberto Requião (PMDB) de 2005, ontem, o governador mostrou que não pretende abandonar seu costume de dar ''pitos'' em público nos membros do governo. Logo no início, o governador alertou os presentes sobre a necessidade de responderem rapidamente os e-mails enviados pela sociedade, deixando claro sua insatisfação com a demora de respostas por parte de setores da administração.
A segunda vítima foi a coordenadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Maria Luiza Marques Dias, que apresentou os indicadores do ''Atlas das Necessidades Habitacionais do Paraná'', elaborado pelo Ipardes no ano passado. Insatisfeito com a qualidade visual dos mapas ilustrativos da situação no Paraná, Requião interrompeu a coordenadora e pediu ''mais cuidado'' aos palestrantes para que o material apresentado seja mais visível.
Nem mesmo o vice-governador e secretário da Agricultura Orlando Pessuti escapou dos comentários de Requião. ''Pessutão!'', disse alto o governador, esclarecendo em seguida que estava ''chamando nosso secretário que estava dormindo um pouco'', sentado na primeira fila. A situação arrancou risos dos presentes. Requião, por sua, vez, só queria a confirmação de Pessuti sobre a produtividade da soja transgênica e não transgênica.
Quem saiu feliz da reunião foi o secretário do Trabalho e Ação Social, Padre Roque Zimmermann, único a receber elogios do governador. Requião saiu em defesa do secretário que, segundo denúncia do jornal O Estado de São Paulo, teria repassado R$ 76 mil ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) para a realização de uma semana de debates e do Festival de Música Camponesa.
''O movimento encontra nas ocupações sua maneira de levar seu ideal de reforma agrária. Fizemos um convênio com o MST, é evidente que a TV Educativa bancou os debates, veio gente do mundo todo discutir a reforma agrária do Paraná. E nesse mês, enquanto no País inteiro teve ocupações de terra, no Paraná se cantou música sobre reforma agrária, se debateu teses do movimento'', disse.
Para Requião, o repasse de R$ 76 mil ''é legítimo, era para apoio do material impresso, dos debates'', disse. Ele lamentou o fato de que o Padre Roque estava na China, e a burocracia do Estado não permitiu o repasse a tempo, já que depois da matéria do jornal, a 2 Inspetoria do Tribunal de Contas determinou o não pagamento.


