Requião é um canalha, ataca Lerner
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segunda-feira, 22 de dezembro de 1997
Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) começou a colher os primeiros resultados da romaria feita em São Paulo na semana passada, junto às direções dos veículos de comunicação de circulação nacional, na tentativa de resgatar a imagem do Paraná como Estado-modelo. Em entrevista à revista IstoÉ desta semana, Lerner volta a rebater com números o relatório da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que desaconselhou a liberação dos empréstimos externos pelo Senado, e as acusações da revista Veja, que na semana anterior apresentou um Paraná falido e insolvente.
Lerner afirma à IstoÉ que o Paraná está numa fase financeira estupenda e reafirma previsão de investimentos da ordem de R$ 14 bilhões em dois anos. Ele diz que há dois tipos de inimigos que tentam macular a imagem do seu governo. Os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), são os adversários declarados. A burocracia insensível da STN, o ciúmes PFL-PSDB e uma guerra política com vistas às eleições de 2.002 seriam os outros inimigos do Paraná, conforme a entrevista concedida a IstoÉ.
Acompanhado do secretário do Planejamento, Miguel Salomão, Lerner voltou a frisar que o Paraná tem o menor endividamento no País, cerca de R$ 2 bilhões. Ele diz que o Estado é o maior produtor de energia, o que lhe dá garantia de que as contas estão sob controle. Só a Copel vale R$ 7 bilhões, ou seja, mais de três vezes o valor da dívida, contabilizou, para enfatizar o potencial e a riqueza instalada no Paraná. Lerner disse na entrevista não se conformar com a reação do governo de São Paulo à perda da instalação de montadoras de veículos para o Paraná. O Emerson Kapaz (secretário da Indústria e do Comércio de São Paulo) parece uma dondoca chateada. Oferecer incentivos faz parte da competição entre os estados, atacou o governador.
Lerner aproveitou ainda o espaço aberto pela revista para atacar Requião e Álvaro Dias - seus possíveis adversários na eleição de 98 - e dar um aviso ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Requião é uma cobra. É o maior canalha da política brasileira. É um destruidor que não tem ética alguma, definiu. Quanto ao presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias - que se coloca como candidato tucano ao governo em 98 -, foi tachado de traidor do PSDB pelo governador. Lerner disse que a sigla no Paraná era, antes do ingresso de Álvaro, integrada por políticos de quilate, como o ex-senador José Richa e o presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco.
Para o presidente Fernando Henrique, o governador pediu definição de apoio. Lerner diz estar acompanhando a movimentação do presidente no Paraná, onde o PSDB incentiva a candidatura de Álvaro Dias. É claro que ele (FHC) vai ter que tomar partido. Não dá para ficar com essa dúvida existencial, seja lacaniana ou freudiana, pois assim corre o risco de não ter o empenho de nenhum dos dois. Ninguém vai se matar por ele, que vai acabar não fazendo campanha no Paraná, emendou.
A Veja desta semana não abriu espaço para a carta do governador Jaime Lerner, encaminhada no início da semana passada contestando a matéria O Estado-modelo vai à lona. A revista circula nesta semana com uma edição especial de final de ano e eliminou a seção de cartas ao leitor.


