Arquivo FolhaDefensivaGiovani Gionédis: ‘‘Querem mais uma vez tirar proveito político’’Os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) deram ‘trégua’ ao governador Jaime Lerner (PFL) e não obstruiram na última sessão da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado), na quinta-feira, a liberação de um empréstimo de US$ 16 milhões para a Secretaria da Fazenda. A autorização foi dada pelos demais senadores da comissão e não tem relação com os pedidos de financiamentos externos feitos pelo governo e que estão emperrados há meses no Senado por falta de documentação e por vontade política dos senadores.
O empréstimo, cuja contrapartida do governo será de US$ 24 milhões, servirá para pôr em prática um programa de reestruturação do Fisco do Paraná, idealizado para aumentar o volume da arrecadação. Requião aproveitou a decisão coletiva da CAE para pôr fim a eventuais resquícios negativos que o bloqueio dos demais financiamentos externos possam ter provocado contra a sua imagem e a de Osmar. ‘‘Estaremos sempre ao lado dos paranaenses quando se tratar de projetos fundamentais para o desenvolvimento’’.
Requião voltou a lembrar que o Palácio Iguaçu não encaminhou os documentos necessários para a apreciação dos financiamentos. ‘‘O governador Jaime Lerner continua se negando a prestar as informações solicitadas e agredindo de forma grosseira e irresponsável o Senado da República’’, afirmou.
Sem fazer média, o senador Osmar Dias encaminhou nota aos jornais ontem afirmando que o Senado Federal ‘‘não pode ser tratado como uma casa de barganha’’ e que a filiação do governador Jaime Lerner no PFL não vai facilitar em nada a liberação dos outros empréstimos que, segundo ele, estão parados porque ‘‘o governo se nega a entregar os últimos balanços’’. ‘‘Pensar que podem atropelar o Regimento Interno do Senado e a Constituição Federal é pensar que a arrogância de Lerner é maior que a lei vigente no País’’, atirou.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse ontem que a atitude de Requião e de Osmar Dias é mais uma prova ‘‘de que os dois usam dois pesos e duas medidas para apreciar os pedidos de empréstimos do governo do Estado’’. Segundo ele, os mesmos documentos que embasaram o empréstimo de US$ 16 milhões foram os encaminhados ao Senado para o desbloqueio dos financiamentos externos. ‘‘Querem mais uma vez tirar proveito político dessa barbaridade que estão fazendo com o Paranᒒ, criticou.
Gionédis observou ainda que os senadores ‘‘não teriam coragem em se indispor com os outros estados brasileiros’’. ‘‘Esse projeto de reestruturação do Fisco não é exclusividade nossa, faz parte de um programa nacional. Eles (Requião e Osmar) não nos fizeram nenhum favor para o governo Lerner’’, alega o secretário da Fazenda.

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