Encontro de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores do PMDB no Paraná, realizado anteontem em Matinhos (Litoral), lançou o senador Roberto Requião candidato ao governo do Estado em 2002. O senador, principal liderança do partido no Estado, participou do encontro.
Outra decisão do encontro foi o lançamento de uma proposta para que Requião encabece uma candidatura das oposições ao governador Jaime Lerner (PFL). A condição é que os partidos aliados defendam a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para apurar a privatização da Copel, na Assembléia Legislativa; e as denúncias de corrupção no governo federal, no Congresso. Não foi discutido que partidos poderiam compor essa frente.
Um dos pontos da ‘‘Carta de Matinhos’’, elaborada no encontro, afirma que o PMDB está aberto a todos os partidos que ‘‘demonstrarem adesão aos princípios de Ulysses Guimarães: não roubar, não deixar que roubem e pôr na cadeia os ladrões do dinheiro público’’. Foi um recado indireto ao presidente do Senado e do PMDB nacional, Jader Barbalho.
O senador paraense é acusado de se beneficiar do desvio de recursos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que se aproximam dos R$ 2 bilhões. Muitos integrantes do encontro defendiam a aprovação de uma moção cobrando a saída de Barbalho da presidência do partido, mas depois decidiram se concentrar em temas estaduais. Mesmo assim, Requião defendeu a renúncia de Barbalho não só do comando do PMDB como também da presidência do Senado.
A partir de amanhã, os diretórios municipais do PMDB em todo o Estado vão coletar assinaturas para a apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular na Assembléia contra a privatização da Companhia Paranaense de Energia. A luta contra a venda da estatal, com leilão previsto para o final do ano, é um dos pontos que constam da ‘‘Carta de Matinhos’’. Para a aceitação do projeto de lei popular são necessárias 65 mil assinaturas (1% do eleitorado paranaense).

mockup