Requião é inocentado de agressão a jornalista
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
Rosa Costa <br> Agência Estado 
Brasília - Parecer da advocacia do Senado entende que não configura falta de decoro parlamentar a ameaça de agressão física a jornalista feita pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e nem mesmo o fato dele ter arrancado o gravador da mão do profissional. O documento assinado pelos advogados da Casa Fernando Cunha e Hugo Souto Kalil e endossado pelo advogado-geral Alberto Cascais, considera a reação de Requião adequada ao mandato parlamentar e, em vez de sugerir ao parlamentar que se contenha, debocha da atitude do Sindicato dos Jornalistas que pediu providências ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Afirmam os advogados: ''O sindicato representante imputou ao senador representado (Roberto Requião) apenas os seguintes fatos: apropriação indevida de aparelho gravador utilizado pelo jornalista: ameaça de agressão física com o dizer ''você quer apanhar?'' e chacota pública do profissional na internet, ao chamá-lo de ''engraçadinho''.
O episódio que a advocacia do Senado considera irrelevante ocorreu dia 26 de abril, quando Requião se irritou com a pergunta do jornalista Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes, sobre a aposentadoria vitalícia que recebia como ex-governador. O benefício foi cancelado pelo governo do Paraná em maio último. Além de arrancar o gravador de Boyadjian, e de retirar o cartão de memória, Requião debochou do profissional em seu twitter, chamando-o de ''provocador engraçadinho''.
O presidente do Senado, José Sarney mandou arquivar o parecer no dia 18 de maio e o texto só foi divulgado atendendo a um pedido do jornal O Estado de S.Paulo. Sarney nem mesmo comunicou a decisão ao Sindicato dos Jornalistas. ''O silêncio do Senado passa um péssimo recado à sociedade'', afirma o presidente do sindicato, Lincoln Macário.
O jornalista Victor Boyadjin disse que não se surpreendeu com o parecer da advocacia. ''Já tinham me alertado que seria uma decisão desse tipo, pela reação inicial do senador Sarney'', alegou. ''Aliás, não posso esperar nada de quem chama o impeachment de um presidente de acidente'', acrescenta, referindo-se à referência de Sarney ao impeachment do então presidente Fernando Collor.
Requião gostou do parecer. ''Você queria que eles dissessem o quê'' ? ''Eu respondi as perguntas até que ele veio dar uma de engraçadinho'', afirmou, reiterando novamente que não tem por que falar da sua aposentadoria vitalícia de governador, hoje extinta.


