Curitiba - Uma nova multa por danos morais foi imposta ontem pela Justiça ao senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião (PMDB). Dessa vez o autor foi o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, contra quem Requião fez acusações de superfaturamento em uma obra para um ramal ferroviário no interior do Estado. A decisão da juíza Adriana de Lourdes Simette, da 3 Vara Cível de Curitiba, impôs multa de R$ 40 mil ao senador.
Na decisão, a juíza diz que ''não se pode admitir que estas pessoas públicas ajam de forma desconectada da realidade, criem factóides, lancem dúvidas, sem que antes haja um mínimo de fundamento fático para tal fim''. A acusação de Requião era de que Paulo Bernardo teria superfaturado a obra em R$ 400 milhões: o ex-governador falava que a ferrovia sairia por R$ 150 milhões e atribuía o valor R$ 550 milhões a cálculos do ministro. De acordo com o advogado de Paulo Bernardo, Luiz Fernando Pereira, a juíza entendeu não haver necessidade de produzir prova, embora a defesa de Requião tenha pedido perícia e que testemunhas fossem ouvidas. Pelo mesmo caso, Requião ainda pode ser condenado criminalmente, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma audiência sobre o caso está marcada para o próximo dia 18.
Entre as outras multas impostas a Requião estão R$ 80 mil, por acusar o deputado estadual Edson Praczyk (PRB) de cobrar ''mensalinho'' de R$ 45 mil para votar projetos de interesse do governo na Assembleia; R$ 40 mil ao ex-ministro Euclides Scalco, acusado de desvio de recursos públicos no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná; e R$ 50 mil ao ex-secretário estadual da Fazenda Ingo Hubert, a quem Requião chamou de ''ladrão''. Na polêmica envolvendo a suspensão das aposentadorias dos ex-governadores, determinada no primeiro semestre pelo governo estadual, Requião alegou que precisava dos mais de R$ 24 mil mensais para pagar as multas que lhe eram impostas pela Justiça.

mockup