Requião e Cassio brigam por causa de cerca
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), adversários políticos, estão em pé de guerra. A promessa de campanha de Requião, de derrubar as cercas em volta do Palácio Iguaçu, a sede do governo paranaense, está esbarrando na jurisdição da Prefeitura de Curitiba, responsável pela mão-de-obra e pelos custos de colocação das grades, que ficam em um terreno do município.
As cercas estão na Praça Nossa Senhora de Salete, onde estão localizadas as sedes dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. A prefeitura já avisou que vai exigir uma solicitação formal de Requião à Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba, antes que a remoção dos cerca de 410 metros (somente a parte em volta do Palácio) seja iniciada. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, Cassio ainda não recebeu nenhum pedido.
As grades de 2,2 metros de altura foram colocadas em volta da praça no final de 1999, a pedido do então governador Jaime Lerner (PFL), depois que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ficou acampado seis meses no local, exigindo agilidade do poder público nos assentamentos. Outro episódio, há dois anos, ampliou as cercas, erguidas em volta do Tribunal de Justiça (TJ) e da Assembléia Legislativa.
O Legislativo já tinha as grades, mas parte delas foi derrubada por um grupo que protestava contra a tentativa do governo Lerner de vender a Copel. Foi feita reforma, e o TJ também ganhou cercas em volta de todo prédio, depois de ter alguns vidros quebrados durante o protesto. Na época, a oposição protestou contra a medida, alegando que Lerner estava ''descaracterizando'' o Centro Cívico.
Ontem, o secretário de Obras Públicas, Luis Caron, recebeu partidos aliados ao PMDB PT, PPS, PL e PV além de representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Paranaense dos Estudantes (UPE), MST, entre outros, para discutir como serão retiradas as grades. A expectativa é abrir licitação em uma semana, quando se saberá o custo da retirada. Não há previsão para a remoção completa das cercas.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que as grades, que pertencem ao município, devem ser utilizadas em outros espaços públicos, como praças. Mas não revelou os gastos com a colocação. Sem saber da posição na prefeitura, na reunião na Secretaria de Obras, alguns presentes chegaram a sugerir uso para o material. Segundo o Palácio Iguaçu, o diretor-geral da Unioeste, Paulo Sérgio Wolf, pediu ao governador para que as grades sejam doadas para proteger o patrimônio da universidade.
Já as grades em volta do TJ e da Assembléia continuam em pé até segunda ordem. Os assessores de Requião argumentam que ele não pode interferir nos outros poderes. A assessoria de imprensa do TJ informou que não há planos, pelo menos por enquanto, de mexer nas grades. Em um primeiro momento, a Assembléia também não deve retirar as cercas.


