Requião e Bueno trocam ofensas em debate
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domingo, 15 de setembro de 2002
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os candidatos ao governo do Estado Roberto Requião (PMDB) e Rubens Bueno (PPS) suspenderam a política de boa vizinhança e trocaram ofensas durante o debate promovido anteontem à noite pela TV Iguaçu, afiliada do SBT no Paraná. Bueno relembrou Requião sobre a sua ligação com o também candidato Alvaro Dias (PDT), que não compareceu ao debate.
Requião atribuiu o relacionamento político com o candidato pelo PDT ao tempo em que ''Alvaro se comportava bem e não andava em más companhias''. Requião lembrou ainda que Bueno havia morado com Alvaro Dias na década de 70, o que, na opinião do candidato, representa uma ligação bem mais estreita.
A referência ao passado dos candidatos Roberto Requião e Rubens Bueno foi um dos pontos mais polêmicos do debate na emissora do ex-governador, candidato ao Senado pelo PMDB e aliado de Roberto Requião, Paulo Pimentel. O programa foi mediado pelo apresentador Alexandre Zraik. Apesar das trocas de farpas, Bueno disse ontem à Folha que não classifica a abordagem de Requião como um ataque. ''Mas mantenho minha opinião de que ele (Requião) faz parte dos acordos brancos'', disse. A postura assumida pelos candidatos do PPS e PMDB surprendeu. Requião e Bueno têm evitado críticas um outro o outro, já que Requião deseja o apoio do PPS num eventual segundo turno contra Alvaro Dias.
O programa começou às 22h30 e durou uma hora e meia. Os candidatos Beto Richa (PSDB) e Alvaro Dias (PDT) optaram por não comparecer ao debate. Postura classificada como ''anti-democrática'' pelos candidatos presentes. Richa tinha compromissos de campanha no interior. Alvaro levantou suspeitas quanto à imparcialidade do evento, uma vez que foi produzido pela TV de Pimentel. Participaram do programa, além de Requião e Bueno, o candidato pelo PT Padre Roque Zimermmann; Giovani Gionédis (PSC), Cirus Itiberê (PSD) e Severino Araújo (PSB).
A ausência dos dois candidatos foi explorada por Requião e Padre Roque, que protagonizaram uma troca de gentilezas durante o bloco de perguntas entre os candidatos. No primeiro bloco, cada candidato respondeu a uma pergunta feita pelo mediador. Requião negou que estaria adotando um estilo populista em suas propostas, conforme foi questionado. Cirus respondeu à pergunta de como pretende gerar empregos se for eleito salientando que o objetivo do seu plano de governo é construir residências e promover o ''desfavelamento'' do Estado.
Ao responder a questão de como conviveu pacificamente com os problemas financeiros do Estado, já que foi secretário da fazenda e Jaime Lerner (PFL), o candidato Giovani Gionédis explicou que esse foi o principal motivo do seu afastamento. Gionédis acusou, sem citar nomes, outros candidatos de plagiarem o seu plano de governo e por isso entregou aos candidatos presentes uma cópia do seu plano. ''Se querem copiar, não copiem da televisão, copiem do original'', disse.


