Requião e Álvaro vão discutir aliança
O senador Roberto Requião (PMDB) e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), reúnem-se na primeira quinzena de março, em Curitiba, para discutir a sucessão do governador Jaime Lerner (PFL). Será a primeira vez que os dois pré-candidatos de oposição ao Palácio Iguaçu sentam para conversar, depois das eleições de 94, quando o relacionamento entre os então aliados estremeceu-se com a derrota de Álvaro nas urnas.
O encontro será posterior à convenção nacional do PMDB, que no dia 8, define se lança candidato próprio ou apóia a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Paralelamente à disputa no Paraná, Requião acalenta esperanças em ser o candidato do PMDB a presidente. Se a tese da candidatura própria vingar, o senador fica com o seu destino político em suspense até maio, prazo fixado pela Justiça Eleitoral para a escolha dos candidatos definitivos.
A conversa entre Requião e Álvaro foi agendada pelos próprios ex-governadores, na noite da última terça-feira, durante velório da mãe do senador, dona Lucy Requião, sepultada ontem pela manhã em Curitiba. O presidente da Telepar ficou horas aguardando a vinda do senador, que estava chegando de Brasília. Diversos deputados estaduais presenciaram a espera e a longa conversa, que pode ser decisiva para avançar a idéia da frente das oposições.
Requião e Álvaro não se falavam há anos. Esbarraram-se no final do ano na cantina do Senado, em Brasília. O ex-governador viu no senador Requião um dos grandes responsáveis pela sua performance em 94, contra Lerner. O senador não conseguiu convencer o sucessor Mário Pereira a trabalhar para Álvaro. Em 96, os resquícios do azedamento se acentuou. A união do PMDB-PSDB não foi possível em diversas cidades, dentre as quais Curitiba, onde foram lançados candidatos independentes: os deputados Carlos Simões, pelo PSDB; e Max Rosenmann, pelo PMDB.
Os deputados do PMDB viram com bons olhos a aproximação. Têm que ir para o altar, senão não sai casamento, diz líder da bancada, Orlando Pessuti. Luiz Cláudio Romanelli também aposta no noivado. Uma união entre o PSDB e o PMDB é fundamental para reassumirmos o governo, discursou. Para o presidente em exercício do PSDB, Olivir Gabardo, a conversa poderia ter sido prorrogada, mantendo-se os contatos que vem sendo feitos pelos dirigentes. Para evitar precipitações, pondera Gabardo, que ontem já dava sinais de que está acostumado com a idéia.
O quebra-gelo entre Requião e Álvaro ocorreu um dia depois do senador ter iniciado uma costura para segurar o PT no grupo. Requião jantou, na segunda-feira, em Curitiba, com o presidente estadual do PT, Roberto Salomão, e demais lideranças, na tentativa de manter os petistas em convivência com o PSDB e PPB. O encontro do PT em Guarapuava, no final de semana passado, resolveu que o partido está proibido de avançar em acertos políticos com tucanos e pepebistas.(LD)





