Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) passou a manhã de ontem em reuniões internas no Palácio Iguaçu para tentar acalmar a crise instalada dentro do secretariado e garantiu que não irá fazer mudanças. Os secretários Luís Mussi (da Indústria e Comércio) e Airton Pisseti (da Comunicação) permaneceriam no cargo, mesmo depois das acusações feitas por Mussi contra Pisseti, na ausência de Requião. ''Fica como está, está bom. Ficam os dois, claro. Quem você queria que eu colocasse lá, o Formigheri (Marcos, empresário de comunicação) e o Gionédis (Giovani, ex-secretário de Fazenda do governo Jaime Lerner e um dos apoiadores do petista Angelo Vanhoni na disputa pela Prefeitura de Curitiba)'', ironizou o governador, em entrevista à Folha.
Requião tem até razão para estar nervoso. Além das notícias externas contra o seu governo, brigas internas auxiliam a esquentar e acirrar os ânimos. O estopim do desentendimento entre Mussi e Pisseti ocorreu por conta de uma nota do jornalista Ogier Buchi que dizia que Mussi acusava Pisseti de cobrar um ''pedágio'' de R$ 250 mil para liberar R$ 500 mil em verbas de propaganda oficial para o Canal 21, de propriedade de Mussi. Ainda de Nova York, por telefone, Requião anunciou a exoneração de Buchi, que era diretor da estatal EcoParaná, cargo que acumulava com as funções de jornalista.
Se depender do governador, os secretários vão permanecer nas mesmas funções. ''Como está, está bom'', garantiu Requião. Fontes internas do Palácio Iguaçu acreditam, no entanto, que a situação não se sustente por muito tempo. Paulo Pimentel (presidente da Copel, sogro e inimigo de Mussi) estaria pressionando Requião a exonerar o genro, pivô do escândalo veiculado pela imprensa.
A oposição na Assembléia Legislativa não perdeu a oportunidade de desancar o primeiro escalão de Requião. Os deputados aguardam para hoje um depoimento de Pisseti na Assembléia.
Outro membro do primeiro escalão que está sob fogo da oposição é o superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião. O irmão do governador criticou na semana passada os deputados estaduais, acusando-os de agirem segundo os interesses de multinacionais. O troco foi dado pela bancada de oposição, que convidou Eduardo a prestar esclarecimentos sobre o tema. O superintendente do Porto iria ontem na Assembléia, mas informou que devido a um imprevisto não pôde comparecer. Eduardo não marcou uma nova data para comparecer à Assembléia. (Colaborou Rodrigo Sais)

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