Arquivo/Folha de LondrinaO relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR): ‘‘É uma quadrilha só atuando em todo mercado, que deu um prejuízo de cerca de R$ 6 bilhões aos cofres públicos e teve um lucro aproximado de R$ 600 milhões’’SÃO PAULO - O relator da CPI dos Títulos, senador Roberto Requião (PMDB-PR), disse ontem que todo lucro gerado com as fraudes dos precatórios era transformado em dólar na fronteira do Brasil com o Paraguai e que o suborno às autoridades públicas coniventes era feito com essa moeda.
Requião disse que os doleiros foram identificados durante depoimento do proprietário da IBF Factoring, Ibrahim Borges Filho, à CPI. Segundo o senador, os lucros obtidos com o esquema de deságio dos títulos públicos foram remetidos para o Paraguai e depois retornaram ao Brasil, em dólar, para pagamento de comissões e propinas. Requião citou os nomes de Carmem Alonso Godoy Xavier e Pedro Paulo Romero como os doleiros mais utilizados pelo esquema. ‘‘Na verdade pudemos perceber que é uma quadrilha só atuando em todo mercado, que deu um prejuízo de cerca de R$ 6 bilhões aos cofres públicos e teve um lucro aproximado de R$ 600 milhões’’, afirmou Requião.
O relator da CPI disse ainda que ‘‘o principal assessor técnico dessa quadrilha’’ era o coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo, Wagner Ramos. ‘‘Ele aparece em todas as operações, como um auxiliar da quadrilha’’, disse.
Segundo o senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), que acompanhou Requião na visita ao BC, cabe à CPI investigar também os fundos de pensão, fundações e fundos de renda fixa que participaram das operações irregulares, comprando títulos a preços maiores dos de mercado. ‘‘Eles vão ter que explicar por que compraram mais caro’’, afirmou.
Requião e Kleinubing informaram terem recebido da Polícia Federal a documentação contábil apreendida na diligência feita anteontem em São Paulo em corretoras. Os documentos recolhidos referem-se ao período entre 95 a 97. Kleinubing afirmou que o esquema beneficiou administradores públicos, como prefeitos e governadores, podendo até ter beneficiado presidentes de bancos públicos. ‘‘Se alguém deu um deságio maior que o necessário ou foi estupidez ou houve complacência dos administradores públicos’’, afirmou.
Requião e Kleinubing disseram ter recebido uma ‘‘massa enorme’’ de documentos das instituições liquidadas hoje. A partir de agora, técnicos da CPI e fiscais do BC vão estudar os documenttos para conferir informações.

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