Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) explicou ontem que tem usado de diálogo com o MST no que se refere às desocupações de terra. De acordo com Requião, as reintegrações de posse não ocorrem imediatamente para evitar conflitos agrários. ''Não quero guerra no campo. A guerra não acontece por causa das invasões. Ocorre sim pela miséria, pela fome e pela ausência de reforma agrária'', disse ontem, em entrevista à Folha.
O advogado Darci Frigo, representante da organização não-governamental (ONG) Terra dos Direitos, disse ontem que a CPI não pode ter credibilidade. Segundo Frigo, ela foi encomendada pelos ruralistas para enfraquecer o MST. ''É para encurralar o movimento e para por fim ao processo de reforma agrária no Paraná. A CPI quer colocar uma série de obstáculos para que a reforma agrária seja realizada'', atacou. Frigo disse que o MST não utiliza técnicas de guerrilha. Muitas vezes, defendem suas famílias segundo ele dos ataques de milícias armadas. ''Acho que isso de guerrilha é uma alucinação dos ruralistas'', definiu.
Quanto ao desmatamento de área da Araupel onde estão dois assentamentos, Frigo admitiu que houve um comércio de madeira no início do processo de assentamento. Entretanto, o comércio não teria sido realizado pelo MST, que teria denunciado os problemas sofridos na área para o Ministério Público (MP) estadual. ''O assentamento foi feito dentro das normas legais. Ocorreram várias irregularidades, mas não foram feitas pelo MST. Poderia ter gente do assentamento envolvida, mas sem que o movimento admitisse. Tanto que denunciou. Eu mesmo fui o advogado que procurou o MP para fazer a denúncia'', informou Frigo. Hoje a área desmatada está plantada com culturas de subsistência. (L.P.)

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