Requião diz que BC foi injusto com Bamerindus
Curitiba - O governador Roberto Requião disse ontem que foi adversário político do ex-ministro José Eduardo de Andrade Vieira, mas nunca inimigo. Ele contou que quando foram companheiros de Senado, chegou a se debruçar nas contas do antigo Bamerindus para descobrir uma linha política suficientemente boa para ''detonar'' o adversário partidário. Entretanto, teria descoberto que o banco paranaense estava sendo injustiçado pelo governo federal. ''Fui me surpreendendo na medida em que me aprofundava nas contas do Bamerindus. A crise estava sendo ocasionada pelo Banco Central e pelas notícias de revistas semanais. Os dados da crise realmente não existiam na profundidade que eles eram divulgados. Mas as notícias faziam com que o banco perdesse os depósitos populares a cada dia'', revelou Requião.
Requião começou a defender o Bamerindus. Ele chegou a ter uma reunião com o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, e propôs a fusão dos bancos Banestado e Bamerindus. ''Os dois bancos poderiam ser transformados num só, de economia mista. O Malan se entusiasmou e levei a proposta para o Lerner (Jaime Lerner, na época, governador). Avisei para o Lerner que o Paraná tinha a opção de fazer isso com urgência ou o Estado perderia dois bancos'', contou. Lerner ficou de estudar, mas segundo o governador, logo em seguida o Banestado foi privatizado e o Paraná perdeu a chance de ter o maior banco do Brasil, ''com forças para competir com o Itaú e com o Bradesco''.
Requião acusa o governo Fernando Henrique Cardoso de ter promovido a entrega do Bamerindus para o capital internacional com a finalidade de ''internacionalizar as estruturas bancárias brasileiras''. (L.P.)





